Os produtores de arroz querem que os partidos políticos defendam apoios aos produtores e regulação dos preços, tendo a Associação Portuguesa de Orizicultores (APOR) anunciado ontem que vai solicitar uma «reunião urgente» à comissão parlamentar da Agricultura.
«Tem de haver a intervenção dos partidos», disse o coordenador da APOR, Isménio de Oliveira, à saída de uma reunião na delegação de Coimbra da Direcção Regional de Agricultura do Centro (DRAC), onde foi reclamado um preço mínimo à produção de 30 cêntimos por quilograma.
Numa exposição entregue na delegação da DRAC, os orizicultores exigem que o Governo tome medidas de apoio aos produtores e que «actue e penalize efectivamente quem faz “dumping”» na comercialização do arroz, numa alusão às grandes cadeias de distribuição.
«Sabemos que as grandes superfícies estão a fazer “dumping”, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) fiscalizou e detectou 11 locais com “dumping” mas só um foi condenado a pagar 2.500 euros», declarou Isménio de Oliveira.
Os orizicultores consideram «grave o que se passa na produção nacional de arroz», com os preços à produção a caírem para metade no último ano, oscilando actualmente entre os 15 e os 23 cêntimos o quilograma.
«Continua a haver arroz de fraca qualidade, dos países asiáticos a baixos preços», denunciou o coordenador da APOR, sublinhando que o arroz «aparentemente mais barato para o consumidor acaba por ficar mais caro ao país», porque provoca a «ruína da produção e indústria nacional, que emprega acerca de 15 mil pessoas».
A «pouca capacidade de compra» leva os consumidores a «comprar arroz de marca branca, que mantém o preço abaixo dos custos, criticou o responsável. Os orizicultores reclamam que passe a ser obrigatório a indicação nas embalagens da origem dos produtos e não apenas a distribuidora.
«Tem de haver uma intervenção ao nível da União Europeia para que seja obrigatório a origem dos produtos na embalagem, o que actualmente não acontece nos produtos mais baratos de marca branca», afirmou o coordenador.
Para fazer face às «grandes dificuldades por que estão a passar as explorações agrícolas familiares», a APOR exige a redução das contribuições mensais dos agricultores para a Segurança Social, «por escalões segundo os rendimentos das explorações e sem perda de direitos».
Fonte: Confagri
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