A produção de leite, nos Açores, deve ficar aquém do limite máximo atribuído às ilhas na campanha que terminou esta sexta-feira, dia 31. Desta forma parece estar afastado o cenário do pagamento de multas comunitárias por ultrapassagem da quota previamente estabelecida.
Assim, caem por terra, igualmente, os piores receios dos responsáveis da lavoura açoriana que, no início do ano, adiantavam que “da maneira que as coisas estão, o mais certo é que a quota seja ultrapassada e, consequentemente, os lavradores açorianos tenham de vir a pagar multas”.
Foi precisamente nessa altura, e prevendo que podia acontecer uma ultrapassagem da quota, quando os responsáveis da lavoura e o Governo açoriano, na pessoa do secretário Regional da Agricultura e Florestas, Noé Rodrigues, estavam de costas viradas – em virtude do abaixamento do preço do leite – que o Presidente do Governo Regional propôs que os produtores açorianos adquirissem, com a ajuda do Executivo Regional, quota no Continente, uma solução que, entretanto, foi inviabilizada pelos preços inflacionados que os produtores continentais pediram pela quota e mesmo pela restrição que os mesmos tinham no respectivo fornecimento, como agora se verifica.
Assim, agora que estamos no final de Março (apesar dos dados de Fevereiro e Março não estarem fechados), o presidente da Associação Agrícola de S. Miguel, relativamente à questão das quotas, diz que a “Região está melhor do que o Continente”, pois lá a quota deve ser excedida entre sete a dez milhões de litros de leite, conforme confirmou o presidente da Associação Agrícola de S. Miguel (AASM). De acordo com Jorge Rita, o arquipélago apresenta “boas possibilidades” de não ultrapassar a sua quota, depois do “susto” relativo aos dados de produção conhecidos no final do ano de 2005, altura em que os números, nos Açores, indicavam que, a manterem-se os níveis de produção, os produtores locais estariam sujeitos ao pagamento de multas, num valor muito superior ao preço de cada litro de leite vendido à indústria.
Informação evitou o descalabro
Como principal causa para o “cenário favorável” que agora se verifica, ao contrário do que se passa no Continente, o presidente da AASM aponta a “informação que passou para a lavoura” para optar pela contenção de produção. “Um processo nada fácil” para os lavradores das ilhas, reconheceu, todavia, Jorge Rita. Segundo disse, os dados de Fevereiro devem indicar uma redução em relação ao período homólogo da anterior campanha, enquanto que as condições climatéricas registadas este mês não foram muito favoráveis para a produção de leite nas ilhas.
Perante isso, os produtores de leite dos Açores, o mais importante sector da Agricultura na Região, poderão estar “mais ou menos descansados”, realçou Jorge Rita, ao mesmo tempo que adiantava que a fábrica Insulac começou já a devolver a vários produtores o “cheque do leite”, entretanto retido perante a possibilidade do pagamento de multas.
Produtores perderam rendimentos
O presidente da Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses (AJAM), sobre as notícias relacionadas com a quota leiteira, referiu à reportagem do EXPRESSO DAS NOVE que tem “igualmente a firme convicção que não haverá lugar ao pagamento de imposição suplementar e que, se tal vier a acontecer, será numa percentagem ínfima”. Vergílio Oliveira adianta que “tal situação fica a dever-se a um esforço muito grande que foi feito por parte dos produtores de leite, com evidentes perdas financeiras e económicas para as explorações, é preciso que não nos esqueçamos”.
Sobre isto, o presidente da AJAM sublinha que “mais uma vez, entramos na velha questão em que os bem-comportados – aqueles que fizeram toda a contenção neste final de campanha, contribuindo decisivamente para que não houvesse lugar ao pagamento de uma imposição suplementar – são os mais prejudicados, já que muitas vezes não são estes os que mais ultrapassam a quota”. Outra das causas, apontadas por Vergílio Oliveira, para que a quota não tenha sido ultrapassada, “foi o esforço feito pelos responsáveis pelo sector (associações agrícolas, Governo, etc…), que tiveram um papel importante na informação dos lavradores, e mesmo as próprias fábricas, que desencadearam acções, umas mais polémicas do que outras, junto dos seus produtores.
Deste conjunto de acções resultou uma efectiva diminuição da produção de leite”, sublinha. Não deixando de ressalvar que “toda esta situação teve perdas e custos muito grandes para muitos promotores da actividade”, o presidente da Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses acredita que “no último dia de Março assistir-se-á ao virar de uma página e dar-se-á uma mudança na questão das quotas e no modo de atribuição das mesmas. Esta distribuição terá de ser muito bem discutida para que, ao contrário do que aconteceu no passado, o crime não compense.”
Fonte: Anil
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