A crise e a especulação no mercado mundial dos cereais está a ter uma consequência no mapa agrícola de São Miguel: a produção de milho para silagem aumentou bastante este ano, porque os produtores de leite querem usar apenas o mínimo indispensável de rações na alimentação do gado. O motivo é o aumento dos custos com rações, cuja matéria-prima disparou de preço no mercado internacional.
“A área forrageira de milho cresceu muito em São Miguel este ano e as pessoas, para poderem baixar custos na compra de rações, compensam com o aumento do milho na alimentação do gado”, admite o presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM), Jorge Rita, que prevê que esta tendência se mantenha ou até aumente para o ano. Uma das vítimas desta situação está a ser a Sinaga, a açucareira micaelense que este ano viu cair a entrega de beterraba local na sua fábrica em cerca de 10 por cento, isto quando os últimos anos vinham a ser de um consolidado crescimento.
“É preciso corrigir os desequilíbrios ao nível dos apoios, porque anteriormente a estes, não havia distorções do mercado”, reconhece o presidente da Sinaga, Emanuel Sousa, que atribui parte da responsabilidade desta situação às políticas da União Europeia, que têm desequilibrado os mercados agrícolas, fazendo desaparecer algumas culturas em favorecimento de outras. Em São Miguel, os solos agrícolas estão ocupados em 90 por cento por pastagem e há que manter o gado alimentado. Mas o presidente da Sinaga lembra que é preciso rodar os terrenos para eles não esgotarem com a mesma cultura. Mas isso não acontece e a Sinaga já tem recusado produtores, porque os seus terrenos já não estão próprios para um bom cultivo da beterraba.
Actualmente, o preço do milho para silagem em São Miguel ronda os seis cêntimos por quilo. O mesmo quilo de ração custa à volta de 27 cêntimos. No entanto, não se pode estabelecer uma relação directa de preços, uma vez que uma vaca come por dia muito mais silagem de milho do que ração. Sobre esta questão, o presidente da AASM até reconhece que, apesar do aumento da produção de milho em São Miguel, a venda de rações tem-se mantido este ano ao nível do ano passado, uma vez que os produtores procuram alimentar cada vez melhor o seu gado.
Além disso, a silagem de milho não substitui totalmente a utilização de rações na alimentação de um animal de “alta produção”. Para a situação que se está a viver em São Miguel, contribuem também as vantagens comparativas do cultivo de milho, por comparação com a beterraba, segundo admite o presidente da AASM. Vantagens essas que passam, por exemplo, pela necessidade ou não de terrenos planos, pela capacidade de produzir a média altura e não apenas em baixa ou até pela época mais propícia da sementeira.
Fonte: Anil
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