O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo avançou que o país vai precisar de produzir cerca de 400 mil toneladas de milho para abastecer a procura de matéria-prima por parte dos dois projectos de bioetanol previstos para Portugal.
Num ano médio, o nosso país produz perto de 700 mil toneladas de milho, mas, em condições adversas, como foi o caso de 2006 devido à seca, a produção deste cereal fica muito longe da média. Na realidade, as 400 mil toneladas necessárias ao bioetanol representam mais do dobro do milho produzido no ano passado.
Para Luís Vasconcellos e Souza, «o desenvolvimento da indústria de bioetanol pode ser uma oportunidade de negócio para os agricultores nacionais e o país tem capacidade para assegurar a produção necessária para os dois projectos de que se fala». O responsável sublinhou, contido, a necessidade de garantias da parte do Governo e dos promotores dos projectos.
«O Executivo tem de tomar uma de duas opções: ou compra o produto acabado, ou seja, o bioetanol ao Brasil ou assegura as condições para que se produza em Portugal aquele biocombustível», cita o Diário de Notícias. A produção nacional «mais do que criar novos postos de trabalho vai manter muitos e fixar populações no mundo rural».
Da parte da indústria, os produtores precisam que «se estabeleçam contratos a longo prazo, no mínimo a três anos, e a preços que assegurem a rentabilidade das produções», disse Vasconcellos Souza.
É também importante que se garantam novas zonas de regadio, como o Alqueva, uma vez que a produção de milho varia, não só em função do seu valor de mercado, mas também do preço da água.
De qualquer forma, para aquele responsável, o mais importante é a decisão política do Governo para avançar com uma indústria de biocombustíveis. Uma posição clara nesse sentido evitará entraves ao sector, colocados por eventuais interessados na continuidade das receitas advenientes dos combustíveis fósseis.
Fonte: Diário de Notícias
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