A DAI, único fabricante português de açúcar, manifestou-se sexta-feira convencida de que a actual proposta da Comissão Europeia para reforma do mercado do açúcar vai ser alterada, e que a produção em Portugal vai continuar.
Em comunicado, a empresa afirma-se “segura que, no decurso do processo negocial, será possível chegar a uma solução capaz de conciliar os objectivos da reforma com a manutenção da cultura da beterraba, e da produção de açúcar em Portugal”.
Para tal, adianta, “bastará que a redução de preços não seja tão acentuada”, que os cortes de produção “sejam feitos à custa dos países produtores de excedentes e não os que sempre cumpriram os seus limites de produção, como é o caso de Portugal”, e ainda “que se faça uma gestão adequada das importações a autorizar na UE”.
“Pelas posições de rejeição já manifestadas por 11 dos actuais Estados-membros, incluindo Portugal, pode-se afirmar, com segurança, que a proposta da Comissão, tal como apresentada, não será aprovada”, afirma.
A proposta da Comissão prevê cortes significativos nos preços de referência, que atingem os 42 por cento no caso do açúcar de beterraba, que a DAI produz, o que põe em causa a viabilidade da actividade.
A proposta da comissária Fischer Boel afecta sobretudo os países da meridionais, como Portugal, Itália, a Grécia e a Irlanda.
Uma vez adoptada pelo colégio de comissários, a proposta deverá ser apreciada pelos ministros da Agricultura dos “25”.
No comunicado, a DAI reitera ainda a “intenção dos accionistas de continuarem a actividade em Portugal”, e lembra o compromisso do Ministério da Agricultura português com o projecto.
Criada em 1996, em Coruche, a DAI produz actualmente 70 mil toneladas de açúcar a partir de beterraba sacarina, a totalidade da quota de produção atribuída a Portugal no Tratado de Adesão.
Fonte: Lusa
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