Processo inovador de tratamento de resíduos de lagares de azeite aplicado em Murça

Um investigador da Universidade de Vila Real inventou um processo “inovador” de tratamento dos resíduos e efluentes dos lagares de azeite que vai ser implementado nesta campanha em Murça para resolver um problema ambiental.

João Claro, professor e investigador do departamento de química da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), revelou ontem à agência Lusa que este processo resultou de uma investigação que decorreu durante cerca de dois anos e vai agora ser aplicado pela primeira vez na Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça.

O responsável salientou que a produção nacional de águas ruças, resultantes dos efluentes dos lagares de azeite, equivale à poluição provocada por 2,5 milhões de habitantes.

Também o presidente da cooperativa de Murça, Alfredo Meireles, salientou que os resíduos derivados da produção de azeite são “altamente poluentes e continuam a ser um problema ambiental”.

“É também cada vez mais difícil encontrar locais para a deposição das toneladas de bagaço húmido (bagaço e águas ruças) que produzimos em cada campanha”, frisou.

Segundo João Claro, através de um “processo tecnológico pouco complexo” serão aplicados aos efluentes dos lagares de azeite resíduos da indústria corticeira, cujo resultado é um produto “cem por cento natural e orgânico”.

“Resolve-se em simultâneo um problema ambiental e cumpre-se a legislação aplicada ao sector”, disse.

O responsável referiu ainda que o produto resultante deste processo terá “várias aplicações”, já que poderá ser utilizado como fertilizante, ou componente de fertilizante, para rectificar a alcalinidade dos solos e ainda para a produção de biomassa, um combustível para a produção de energia.

Jorge Machado, do Gabinete de Apoio à Promoção da Propriedade Industrial, instalado desde Fevereiro na UTAD, ajudou João Claro a patentear a sua invenção.

Para o efeito teve que averiguar os processos existentes de tratamento dos resíduos dos lagares e concluiu que “não existia nenhuma solução global para resolver este problema”.

“Já existem alguns processo de tratamento mas que resolviam apenas parcialmente o problema porque ou são processos muito caros ou porque exigem uma grande complexidade técnica”, frisou.

João Claro garantiu que a sua invenção poderá ser aplicada e acessível a grandes ou pequenas unidades industriais.

Refira-se que a remodelação do sector olivícola que se verificou em Portugal na última década levou ao encerramento, só na região transmontana, de 131 lagares de azeite entre 1994 e 2004.

Segundo dados da Direcção Regional de Agricultura de Trás-os- Montes e Alto Douro (DRATM), em 2004 estavam em laboração em Trás-os- Montes 243 lagares e em 2004 funcionaram apenas 114, tendo muitas destas unidades encerrado devido às exigências da União Europeia relativamente ao licenciamento.

No entanto, a capacidade instalada na região não sofreu alterações significativas, uma vez que estas unidades deram lugar a outras, de maior dimensão, com novas tecnologias, melhores condições estruturais, adaptando-se às exigências da legislação em vigor para o sector, nomeadamente em termos ambientais.

Cerca de 75 hectares da região transmontana estão ocupados por olival, tendo, nestes últimos anos, a produtividade média sido de 1.042 quilos por hectare.

A produção de azeitona para azeite na área de intervenção na DRATM foi, no período de 2000-2004, de 78.260 toneladas.

Alfredo Meireles considera que na próxima campanha, que se inicia a meados de Dezembro, a produção de azeite vai ser “boa em qualidade e quantidade”. O responsável estima uma produção de um milhão e 800 mil quilos de azeite.

Cerca de 80 por cento da produção de azeite de Murça é vendido no mercado interno, sendo Macau o principal destino de exportação.

Fonte: Lusa

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