Probióticos: leites e iogurtes os mais recomendados pelos médicos

Segundo a sondagem realizada pela Novadir junto dos profissionais de saúde, a maioria dos inquirido considera que os produtos probióticos são orientados à prevenção de doenças em associação com fármacos. Nos últimos anos têm emergido novos conceitos alimentares em virtude da introdução e comercialização de produtos funcionais – produtos que, além de nutrirem, oferecem algo mais e alegam benefícios para a saúde.

O termo “probiótico” foi definido inicialmente por Füller como “organismos vivos que ingeridos exercem efeito benéfico no balanço da flora bacteriana intestinal do hospedeiro”. Este conceito foi posteriormente ampliado e definido como “organismos vivos que quando ingeridos em determinado número exercem efeitos benéficos para a saúde”. De uma forma cada vez mais sustentada estes produtos têm vindo a ser promovidos como tendo benefícios para a saúde ou até para o combate de determinadas doenças, como o colesterol ou hipertensão.

Nesta “massificação” não é alheio o facto de que cada vez mais as empresas agro-alimentares apostem nestes produtos, não apenas em termos de inovação, mas também a nível de comercialização, inclusive com a aposta em abordagem directa aos profissionais de saúde, à semelhança dos delegados de informação médica dos laboratórios farmacêuticos. No entanto, esta promoção/publicidade e os benefícios que alega tem sido envolvida em grandes polémicas, tendo recentemente entrado em vigor um regulamento da Comissão Europeia que obrigará as marcas a evidenciarem cientificamente a validade das frases promocionais alegando efeitos benéficos para a saúde.

Neste ambiente de “verdadeira revolução”, em que vários estudos científicos têm sido realizados para avaliar os potenciais benefícios para a saúde humana, da ingestão de suplementos “probióticos”, a Novadir realizou uma sondagem junto de um target muito específico: os profissionais de saúde, em concreto a classe médica, em que se tentou perceber qual a opinião dos médicos acerca dos efeitos que estes produtos têm junto dos consumidores.

Metade dos médicos entrevistados recomenda o consumo alimentos/produtos direcionados para a saúde e bem estar, como os probióticos e os chás. Segundo a sondagem realizada pela Novadir, a grande maioria dos inquiridos (85 por cento) considera que estes produtos são orientados à prevenção de doenças em associação com fármacos, enquanto que apenas 4 por cento é da opinião que os probióticos são produtos orientados ao combate a doenças como substitutos dos fármacos. Por outro lado, cerca de 50 por cento tem por hábito recomendar o consumo destes produtos.

No entanto, de acordo com a nova legislação, poderá deixar de ser possível aos profissionais de saúde recomendar estes produtos, caso não seja comprovada a evidência clínica dos benefícios dos mesmos. Os produtos que os médicos mais recomendam são o leite e iogurtes com suplementos.

A Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED) reconhece os benefícios dos iogurtes probióticos na prevenção de doenças do foro gastrointestinal, tendo no inicio deste ano recomendado o consumo destes produtos. De facto, segundo Venâncio Mendes, presidente da SPED “Os iogurtes probióticos têm reconhecidas propriedades, pois possuem microrganismos vivos atenuados que melhoram o funcionamento intestinal, funcionando ao nível da prevenção primária”. Segundo o clínico, “estes produtos são regularmente utilizados como terapêutica auxiliar nos casos de gastroenterite aguda, de doenças inflamatórias e infecciosas do intestino, e ainda face à síndroma do intestino irritável e à acção da Helicobacter Pylori”.

Para além dos iogurtes a maioria dos médicos inquiridos pela Novadir têm por hábito também recomendar o consumo de leite com ou sem suplementos. No que diz respeito a marcas em concreto, as únicas referidas pelos clínicos inquiridos foi o Benecol, Danacol e Actimel, com 18, 8 e 6 por cento das referências, respectivamente. Apesar de recomendarem o consumo destes produtos, a opinião dos médicos relativamente à sua importância é variável.

As investigações científicas mais recentes têm demonstrado clara e inequivocamente a relevância para a saúde dos micro-organismos probióticos, nomeadamente a Bifidobacterium longum, uma bifidobactéria (família de bactérias benéficas presentes na flora intestinal ao nível do cólon) e o Lactobacillus Acidophilus (presente na flora intestinal do intestino delgado). Estas bactérias têm acções que se potenciam mutuamente (isto é, têm entre si uma relação de simbiose). Com efeito , desde 1977 que se reconhecem os benefícios resultantes do consumo regular destas bactérias, sobretudo ao nível do sistema imunológico, na flora intestinal e na redução do colesterol.

No entanto, a opinião dos médicos inquiridos nesta sondagem da Novadir, relativamente à importância que atribuem a estes alimentos/produtos em termos do seu contributo para o bem estar e saúde” é muito variável, com 30 por cento dos inquiridos a considerarem estes produtos como importantes ou muito importantes, e 42 por cento com um opinião contrária, ou seja, que os probióticos não contribuem ou contribuem pouco para o bem estar e saúde das pessoas. ´

Fonte: Anil

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