Presidente Kirchner da Argentina retira imposto sobre cereais

O braço-de-ferro de quatro meses dividiu o país e a aliança governativa e arrastou a perda de popularidade de Cristina Fernández

O Governo argentino anunciou a retirada do projecto de aumento do imposto sobre as exportações de cereais, que abrasou o país durante quatro meses. Os agricultores ganharam. A desistência foi anunciada pelo porta-voz da Casa Rosada, sede da presidência, Alberto Fernández, dois dias depois de o Senado ter chumbado, por um voto, a lei que entretanto passara na câmara baixa.

A medida fiscal proporcionaria ao executivo só no caso da soja um ganho de 11 mil milhões de dólares. Com esse dinheiro, o executivo prometia promover programas de redistribuição da riqueza num país onde 12 milhões dos seus 40 milhões de habitantes são pobres.

Tudo começou no dia 11 de Março, quando a Presidente argentina, Cristina Fernandez Kirchner, no poder há oito meses, quis impor uma taxa sobre as exportações de cereais tanto maior quanto o seu preço nos mercados internacionais. As federações de agricultores recusaram o projecto, entraram em greve, de produção e transportes, que levou ao esvaziamento dos supermercados e cortaram estradas para pressionar o Governo a abandonar a ideia.

Para ganhar o braço-de-ferro, o executivo recorreu ao Congresso, onde a câmara baixa lhe deu razão mas a alta lha negou, há dois dias, numa sessão marcada pela tensão. Os senadores a favor e contra acabaram empatados, 36 para cada lado, e o presidente do fórum, Júlio Cobos, teve de decidir, votando a favor do não e abrindo o que se avizinha como uma crise política.

O chefe do Senado é do Partido Radical, aliado do Partido Justicialista, no poder, e ainda vice-presidente. A aliança governativa está assim dividida. E isso quando a popularidade da Presidente desceu 36 pontos.

Na sequência do voto senatorial, os agricultores pediram então ao Governo que anulasse a “resolução 125”, com que tudo começou e que ainda estava vigente – quer dizer, que desistisse do aumento de 35 para 47 por cento que então decidiu.

Fonte: Público e Confragi

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