Prejuízos na agricultura ultrapassam 2 mil milhões

Os prejuízos da seca na agricultura portuguesa já ultrapassam os dois mil milhões de euros, quase 1,5% do PIB nacional. Mas o cenário deste sector é ainda pior. É que fora desta estimativa, relevada ao DN pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), estão as perdas provocadas pelos incêndios que se têm registado praticamente todos os dias durante o Verão.

“O cálculo que nos levou aos dois mil milhões de euros engloba as perdas nos sectores mais afectados, incluindo a quebra produção de madeira nas florestas devido à seca. Os prejuízos relativos aos incêndios, que são sempre piores do que qualquer seca, não estão aqui contabilizados e, quando estiverem, vão disparar aquele número”, afirmou ao DN Luís Mira, secretário-geral da CAP.

Mas mesmo sem os resultados dos efeitos dos fogos, a situação da agricultura nacional é muito crítica. O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou ontem que a produção de cereais caiu mais de 60% devido à seca, sendo esta a pior campanha das última décadas. Com excepção do trigo mole, todos os cereais registaram quebras e muitas searas foram fenadas ou pastoreadas devido à baixa produção ou má qualidade do grão. Apresentam igualmente fortes decréscimos face a 2004, o girassol (-35%), a batata cultivada em regime de sequeiro (-35%), a pêra (- 25%), o milho em regime de regadio (-20%) e uma quebra de 15% para o de regime de sequeiro. A produção de batata em regime de regadio deverá baixar 5%, prevendo-se que a progressiva diminuição da disponibilidade de água venha a agravar a actual previsão. O INE refere ainda que “a falta de água, em alguns pomares, está a provocar a queda prematura dos frutos, antevendo-se produções de menor calibre”.

Os criadores de gado também estão a enfrentar sérias dificuldades. “À medida que se vão esgotando as palhas e restolhos dos cereais, recorre-se cada vez mais às rações industriais”, o que se traduz em custos adicionais.

‘preços não sobem’. Apesar do aumento dos custos de produção, Luís Mira acredita que o preço de produtos como a fruta, pão, legumes ou carne não vai subir. “Estamos num mercado europeu aberto. Se os preços subirem muito nos produtos nacionais, os consumidores compram os importados. Quem vai ficar com menos rendimentos e suportar os custos adicionais são os produtores”, sustentou o responsável da CAP. Na fruta, a redução de calibre, “deverá até traduzir-se numa redução de preço”. O DN contactou algumas associação panificadoras do País, que não se mostraram preocupadas com a quebra de produção registada nos cereais, frisando que 90% da matéria-prima usada no pão fabricado em Portugal é comprada no estrangeiro.

Fonte: DN

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