Preços voltam a aumentar nas despesas essenciais

A inflação está a atacar os portugueses onde mais dói. O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou, ontem, que a inflação homóloga subiu para 3,1%, em Março, com os aumentos mais expressivos a ocorrerem nos produtos alimentares, nos transportes e na habitação, exactamente os gastos que mais pesam nos orçamentos familiares.

Um inquérito do INE às despesas das famílias, divulgado no final de Março, mostrou que 80% do rendimento vai para bens e serviços e que, do total dos gastos, 55 por cento dizem respeito a habitação, alimentação e transportes. Ora, estas três categorias “foram as que apresentaram as contribuições positivas mais significativas para a formação da taxa de variação homóloga”, refere o INE, no comunicado de ontem, segundo o qual apenas nas Telecomunicações houve descida de preços, face a Março do ano passado (-1,4 por cento).

Os preços de Habitação, Água, Electricidade, Gás e Outros Combustíveis subiram 4 por cento, face a Março do ano passado. Os Produtos Alimentares e Bebidas Não Alcoólicas aumentaram 3,6 por centoe os Transportes sofrem um acréscimo de 2,3 por cento. Embora haja categorias com maiores subidas, como a de Tabaco e Bebidas alcoólicas (+12,1 por cento), o INE faz uma ponderação dos gastos que mais pesam na carteira.

Analisando com mais detalhe as subcategorias de produtos e serviços monitorizadas pelo organismo, verifica-se que, só na alimentação, a que mais peso tem na inflação geral, Pão e Cereais aumentaram 9 por cento e que Leite, Queijo e Ovos sofrem um acréscimo de 13,5 por cento face aos preços verificados há 12 meses.

Os resultados ontem divulgados mostram que a previsão de inflação do Governo para este ano, de 2,1 por cento, está mais longe de ser alcançada. Isto porque a inflação média dos últimos 12 meses subiu de 2,5, em Fevereiro, para 2,6 por cento, em Março. Uma vez que os aumentos salariais foram definidos em função da estimativa de inflação, quanto mais os preços se afastarem do valor de referência, mais poder de compra perdem as famílias.

A UGT, em comunicado, refere que os números do INE “comprometem” a meta de 2,1 por cento do Governo. A central sindical acrescenta que num cenário em que o crescimento mensal de preços seja idêntico ao de 2007, “a taxa de inflação em 2008 atingiria os 3,1 por cento”. A CGTP também tem manifestado preocupação com o actual nível de preços. Eugénio Rosa, economista da intersindical, estima, num estudo divulgado na semana passada, que o valor real da inflação seja superior ao das estatísticas oficiais, uma vez que o peso de bens e serviços que mais aumentam está subestimado pelo INE.

Fonte: Anil

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