A subida dos preços dos alimentos coloca em risco a estabilidade social, política e económica de vários países.
Os alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), em relação à situação despertaram ainda mais a preocupação mundial para o problema, essencialmente quanto à possibilidade de sobrevivência dos mais pobres.
Os biocombustíveis não são os únicos responsáveis pelo aumento de preços dos cereais, mas constituem, sem dúvida, um forte factor de pressão neste, diz o Diário de Notícias.
Segundo a presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, em Portugal «há mais pessoas com dificuldades», adiantando que são os idosos que mais sentem a subida dos preços.
Com um cenário de situações extremas estão países como o Haiti, onde o Parlamento destituiu o primeiro-ministro, depois de violentos protestos contra a escalada de preços dos bens alimentares, levando o Presidente do país a anunciar um plano de emergência, que prevê uma redução de 15 por cento do preço do arroz.
No entanto, e de acordo com o BM, actualmente há mais de 30 países à beira de uma situação idêntica à do Haiti, como é o caso da República Dominicana, Nicarágua e na Bolívia, países na América Central e do Sul, à semelhança de outros localizados no continente africano e asiático, onde a situação pode levar a uma crise humanitária, alertou o director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn.
Do lado europeu, o comissário para os Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, afirmou que a União Europeia (UE) está,«extremamente preocupada não só por causa do risco inflacionista na Europa, mas também devido às consequências horríveis nos países em desenvolvimento».
O ministro da Agricultura português, Jaime silva, referiu que a produção na UE é de 294 milhões de toneladas e o consumo é de 270 milhões, considerando o mesmo que o rendimento dos cereais deverá aumentar durante a actual campanha agrícola, voltando esta a ser excedentária e ter como consequência uma diminuição de preços.
Jaime Silva adianta que em 2009 a produção vai ultrapassar os 288 milhões de toneladas e o consumo estabilizar nos 271 milhões, o que, diz o responsável, significa que na Europa o aumento dos preços não se pode atribuir aos biocombustíveis, mas sim a uma especulação.
Por último, o representante brasileiro da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, considera que a subida do preço é causada pelo consumo estar acima da produção nos últimos três anos, o que levou a uma redução dos stocks.
Para José Graziano a solução não passa pela erradicação da produção de biocombustíveis, mas sim pelo aumento da produção e da produtividade de grãos, explicando que a produção mundial de grãos é de 2,1 mil milhões de toneladas por ano, o que seria suficiente para alimentar toda a população do planeta.
Fonte: Diário de Notícias
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