Preços dos Bens Alimentares Disparam

E estão bem mais caros alguns produtos alimentares do dia-a-dia, quando comparados com o seu preço médio de há um ano. No rol que nos foi possível identificar, o destaque vai para o azeite, cujo preço teve o maior aumento da lista 45%. A seca surge como o principal denominador comum na origem do encarecimento dos bens considerados (ver infográfico na página ao lado), embora não se possa ignorar o peso da factura dos combustíveis na agricultura, que também aumentou 27,5%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

No entanto, o efeito da seca não deixa de ser preocupante, tendo em conta que as autoridades nacionais ainda não puseram de lado a possibilidade de o país vir a enfrentar mais um ano com escassez de chuva, uma vez que os níveis das albufeiras continuam longe de ser repostos. A confirmarem-se as piores previsões, poderá significar também a continuação da escalada nos preços.

No caso concreto do azeite, o preço médio no consumidor, em 2005, terminou o ano a custar 3,89 euros por litro, o que representa um aumento de 44,6% face a Janeiro do mesmo ano, apurou o JN junto da Direcção-Geral da Empresa.

O aumento, muito acima dos 2,3% da inflação, reflecte a subida também observada no preço ao produtor, determinada pelo efeito da seca nas oliveiras, que produziram menos 30% de azeitonas face à campanha anterior.

Aníbal Martins, presidente da Associação Interprofissional da Fileira do Azeite, criada em Fevereiro, sustenta que os preços ao produtor “estão quase o dobro do que estavam há um ano”, no que é secundado pela Casa do Azeite.

Esta associação, que representa 95% de todo o azeite de marca embalado em Portugal, já tinha alertado, em Setembro, para a possibilidade de os preços aumentarem, tendo em conta a subida vertiginosa nos mercados internacionais da matéria-prima, dominados por Espanha, Itália e Grécia, países onde também a seca se fez sentir. No índice de preços ao produtor divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística, de Janeiro a Dezembro de 2005, o aumento foi de 65,7%.

Preço vai subir mais

“O reflexo no consumidor tem sido travado porque as empresas estão a suportar os custos e a esmagar as margens. Mas é provável que os preços continuem a subir”, avisa Mariana Matos, da Casa do Azeite.

Por força do aumento dos preços, ou não, o certo é que os portugueses consumiram menos azeite no último ano face ao anterior, segundo dados do Conselho Oleícola Internacional, tendo caído de 69 mil toneladas para 63 mil. Somos, ainda assim, o quarto maior consumidor europeu e o sétimo a nível mundial.

Apesar de Portugal ser deficitário na produção de azeitona para o azeite que consome, Aníbal Martins receia que a produção do olival português venha a ser ainda menor, pelo menos, “nos primeiros tempos” da aplicação no Regime de Pagamento Único que entrou em vigor, para o azeite, no dia 1 de Janeiro de 2006 (ver texto na página seguinte).

“Pessoalmente, estou em crer que, com este regime, a produção vai baixar, mas não é só em Portugal. Este regime não é sustentável do ponto de vista social”, disse, justificando “É uma ajuda que não obriga a pessoa a produzir. Ora, não faz sentido a Comunidade estar a pagar aos agricultores para não produzirem”.

Contas

Peso no orçamento

O inquérito aos orçamentos familiares do Instituto Nacional de Estatística mostra que as famílias gastavam, em 2000 (dados mais recentes), 18,7% (ou 2579 euros/ano) do seu rendimento com aquisição de bens alimentares e bebidas não alcoólicas.

Habitação Os gastos com a habitação (água, electricidade, gás e outros combustíveis) levam a mair fatia (19,2%).

Comparação

Em relação a Espanha, os portugueses pagam mais 11% pelos bens de primeira necessidade.

Fonte: JN

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