A subida das cotações do petróleo e dos cereais impulsionou os preços dos bens essenciais, como o pão, leite e arroz, no entanto, com a descida das matérias-primas, o contrário não se verifica.
Apesar da queda dos preços das matérias-primas os alimentos não devem descer nos próximos dois a três meses, uma situação justificada por cada sector em particular para não reflectir de imediato a diminuição dos preços do petróleo, milho, trigo ou soja, que na prática é uma manobra das empresas para recuperarem parte da margem de lucro perdido por não terem transposto a subida dos custos de produção para o consumidor.
O petróleo brent, negociado em Londres e que serve de referência para o mercado português, negociou ontem nos 119,7 dólares por barril, uma queda de 19 por cento face ao recorde de 147 dólares do início de Julho.
Esta é a principal causa da queda na ordem dos vinte por cento registada pelos cereais utilizados na produção de pão e leite e, no caso do arroz, os preços nos mercados internacionais já caíram 21,5 por cento desde o máximo histórico atingido há precisamente quatro meses.
Para os analistas, esta correcção dos bens agrícolas não representa uma inversão radical do ciclo de preços altos, mas sim uma estabilização dos valores num contexto estrutural de problemas de produção e aumento da procura mundial.
Ainda assim, a resposta que a oferta está a dar depois dos recordes alcançados é suficiente para impedir, no curto prazo, nova escalda dos preços.
Desta forma, a estabilização em torno dos actuais valores das matérias-primas não deverá reflectir-se no preços dos alimentos, sendo que, segundo os agentes do sector do pão, leite e arroz, uma eventual descida deverá apenas deverá verificar-se em Outubro.
O preço do pão disparou 50 por cento, no espaço de apenas um ano, traduzindo de forma proporcional a subida do custo do trigo mole durante 2007, cujo valor médio oscila actualmente entre os 11 e os 15 cêntimos, mostram os dados da Associação do Comércio e da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP).
Segundo Carlos Alberto Santos, presidente da ACIP, «quando os custos das importações subiram, a distribuição reflectiu-os logo no preço do pão. Agora, já baixou o trigo, já entrou a nova produção do mercado, mas o preço do pão ainda não baixou», ou seja, diz o responsável, «as empresas de moagem, de distribuição, estão a procurar compensar, nos próximos dois a três meses, as perdas das margens de lucros sofridas com o aumento das matérias-primas».
Assim, no mesmo contexto, «dentro de dois, três meses as padarias poderão começar a fazer mais promoções nos preços, mas não devemos assistir a preços de tabela mais baixos», acrescenta Carlos Santos.
No caso do leite, há ano e meio, os preços estavam nos 58/59 cêntimos por litro mas a escalada dos preços da soja, milho, adubos e combustíveis colocou este valor nos 77/78 cêntimos, o preço médio actual das categorias mais simples de leite.
«Neste momento, a ideia é de alguma estabilidade. O aumento das matérias-primas não passou totalmente para os consumidores. Agora, verifica-se uma normalização dos preços. Era impossível para os produtores continuar a absorver parte da subida dos custos de produção», explicou Fernando Cardoso, secretário-geral da Federação Nacional das Cooperativas de Leite e Lacticínios (FENALAC), acrescentando que também no leite uma eventual descida dos preços ao consumidor só deverá observar-se dentro de «dois a três meses».
O mês de Outubro será, igualmente, decisivo para os preços do quilo de arroz, que andam pelos 80 cêntimos na variedade agulha prevendo-se uma descida do preço quando entrar a colheita em Outubro.
A colheita, embora atrasada, calcula-se que seja boa, contudo, uma descida do preço vai »depender do mercado italiano», esclareceu Pedro Monteiro, secretário-geral da Associação Nacional de Industriais de Arroz.
Esta dependência face ao mercado europeu explica-se pelo facto de Portugal ser deficitário em agulha, o que condiciona o preço do carolino, escreve o Diário de Notícias.
Fonte: DN e Confagri
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