A Comissão Europeia prevê que os preços do leite e dos seus derivados estão “excepcionalmente altos” e considera que descerão para níveis mais razoáveis “quando desaparecer a especulação e quando os produtores reagirem” a este encarecimento, refere o documento Market Outlook for the Dairy Sector, que está a circular nos corredores de Bruxelas.
Numa análise sobre a situação do mercado lácteo, a Comissão Europeia destaca a situação excepcional das cotações do leite em 2007 e em especial nos últimos meses, e a sua subida no seio da União Europeia, justificada por factores como o aumento do consumo ou a escassez da oferta por parte de outros grandes exportadores nos mercados internacionais.
“Enquanto a procura mundial tende a aumentar, caíram as exportações de alguns dos principais players do mercado mundial como a Austrália (por causa da seca), a Argentina (mau tempo e baixas temperaturas), a União Europeia (aumento do consumo interno) ou a Índia (proibição de exportação de leite em pó)”, refere o texto da Comissão Europeia.
Os serviços da Comissão assinalam que estas circunstâncias deram origem à subida dos preços nos mercados internacionais para níveis sem precedentes e geraram igualmente um forte aumento dos preço no interior da União Europeia. Como exemplos, são citados produtos como o leite em pó, com uma subida de 216 por cento em relação a 2006 e a manteiga com um incremento de 184 por cento.
Além disso, há que contar com a subida do nível de vida em vastas zonas do continente asiático e com a total escassez de existências nos armazéns da União Europeia e dos Estados Unidos. “Contudo, espera-se que os preços baixem para níveis mais sustentáveis, logo que desapareço o elemento especulativo e que os produtores reajam activamente a estes novos níveis de preços”.
Dentro da União Europeia, a Comissão tem a intenção de propor uma subida de dois por cento da quota de produção atribuída a cada Estado-membro para a campanha de 2008/2009, o que permitiria uma oferta adicional de 2,84 milhões de toneladas de leite para o conjunto dos 27 Estados-membro [para Portugal esse aumento ficaria próximo das 39 mil toneladas].
No Market Outlook, a Comissão Europeia aponta que uma subida anual de 2 por cento, a partir de 2008, garantiria uma maior oferta, sem que com isso seja incrementado de forma significativa o conjunto das despesas da União Europeia com o sector (aqui referindo apoios como a intervenção, que se geram quando são criados excedentes nos mercados).
Bruxelas calcula que o aumento de dois por cento da quota de produção de leite para a próxima campanha, gerará uma descida de 4,9 por cento do preço do leite em natureza, de 3,7 por cento no caso do queijo, de 1,2 por cento no caso da manteiga e de 6,6 por cento no caso do leite em pó.
No caso de que em posteriores campanhas se mantenha o aumento de dois por cento da quota leiteira, os preços baixariam em torno dos cinco por cento anuais até 2012, no caso do leite, enquanto nos outros produtos lácteos as cotações permaneceriam estáveis, refere o documento elaborado pela Comissão Europeia.
O estudo avalia a situação do mercado de lacticínios de forma paralela às propostas que serão apresentadas mais para o final do mês corrente, relativamente à revisão da Política Agrícola Comum – o denominado “health check” – no seio das quais proporá o desmantelamento definitivo do sistema de quotas leiteiras em 2015.
Fonte: Anil
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