Desde a década de 1970 que o mundo não enfrentava uma crise alimentar tão grave quanto a actual: em dois anos, o preço do trigo aumentou mais de 180% e o preço dos alimentos cerca de 80%. Poderá a UE solucionar o aumento do preço dos alimentos produzindo mais e ajudando os países em desenvolvimento a fazer o mesmo? O eurodeputado português Capoulas Santos e a eurodeputada irlandesa Mairead McGuinness, autores de relatórios sobre a matéria, falaram-nos das possíveis respostas para o problema.
O relatório da eurodeputada irlandesa Mairead McGuinness (Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus) sobre o “estado de saúde” da Política Agrícola Comum (PAC) salienta a gravidade da situação da agricultura no mundo inteiro.
Reservas alimentares muito reduzidas e um aumento acentuado do preço dos alimentos são algumas das questões em relação às quais Mairead McGuinness solicita uma intervenção imediata, que permita garantir a segurança alimentar mundial.
Para McGuinness, os preços nos mercados europeus são muito elevados porque “nós somos muito exigentes em relação aos produtores e decidimos produzir os produtos agrícolas e alimentares de uma determinada forma”. Por outro lado, refere, “a legislação ambiental actual pressiona no sentido de uma diminuição da produção alimentar na Europa”.
Previsões dificultadas pela volatilidade dos produtos agrícolas
De acordo com o eurodeputado português Luís Manuel Capoulas Santos (Grupo Socialista), autor de diversos relatórios sobre o “estado de saúde” da PAC, não é possível prever se os preços dos alimentos irão ou não diminuir.
“Ao longo dos últimos meses o preço dos alimentos aumentou substancialmente, mas em seguida verificou-se uma tendência inversa. Os mercados dos produtos agrícolas caracterizam-se por uma grande volatilidade. Nesse sentido, não podemos afirmar que os preços dos alimentos se manterão a um nível tão elevado”, afirmou o eurodeputado português.
Ajuda aos países em desenvolvimento
O Parlamento Europeu decidiu atribuir mil milhões de euros de auxílio aos agricultores dos países em desenvolvimento, para fazer face ao aumento do preço dos alimentos e minimizar os efeitos devastadores que a crise alimentar tem provocado nos países mais carenciados.
No entanto, refere Capoulas Santos, este auxílio será sempre limitado, na medida em que “o problema da fome no mundo não é causado pela Política Agrícola Comum. Trata-se, essencialmente, de um problema de repartição da riqueza e de governança”.
Reservas alimentares atingem nível mínimo histórico
Depois da Segunda Guerra Mundial, a Europa dispunha de reservas alimentares suficientes para um ano. Em 2003, as reservas eram suficientes para 133 dias. As reservas actualmente disponíveis são suficientes para apenas 40 dias. Estes números são particularmente alarmantes se tivermos em consideração que, de acordo com as estimativas, a população mundial deverá aumentar 40% até 2050.
A eurodeputada Mairead McGuinness defende que a gravidade da situação se deve a uma “má política” e sublinha que “não podemos prever aquilo que a natureza nos reserva, nem a que tipo de emergências teremos de fazer face”.
Para Capoulas Santos, a diminuição das reservas alimentares nada tem a ver com a PAC. “A diminuição substancial das reservas alimentares ao longo dos últimos meses não se deveu à Política Agrícola Comum, mas sim à instabilidade dos mercados e às condições climatéricas desfavoráveis em determinadas regiões produtoras de cereais”, afirmou o eurodeputado português.
Fonte: Agroportal
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