O preço do leite está a disparar nos mercados internacionais com o aumento da procura da China a impulsionar. Desde que 2011 começou o preço do leite em pó já subiu 40% nos mercados internacionais. Ou seja, se a 31 de Dezembro de 2010, cada 100 libras peso de leite custavam pouco mais de 14 dólares, agora, essa mesma quantia está a ser negociada a quase 20 dólares.
A motivar esta escalada nos preços do leite está sobretudo o aumento da procura por parte da China, numa altura em que os mercados de matérias-primas estão especialmente tensos com os actuais conflitos no Médio Oriente.
Os analistas acreditam que os preços deverão manter-se elevados durante os próximos tempos e Andrew Ferrier, CEO do Fonterra Cooperative Group, disse à Bloomberg ser possível que o preço do leite se mantenha 50% acima da média, no longo prazo, tendo em conta o aumento do consumo na China e também o aumento dos rendimentos a nível global.
Portugal pode deixar de ser auto-suficiente
Portugal ainda é auto-suficiente no que se refere ao sector leiteiro, mas os produtores temem que esse cenário possa mudar, visto que, segundo eles, o leite está a ser vendido abaixo dos actuais custos de produção. A agência Lusa deu ontem conta de que a APROLEP enviou esta semana uma carta a Cavaco Silva, pedindo ao Presidente que promova o diálogo entre a indústria “como forma de sair da crise”.
Nessa mesma carta os produtores explicam a Cavaco que o leite que vendem “está a ser pago ao produtor abaixo dos custos de produção”, razão pela qual atravessam uma “crise sem precedentes”.
Os agricultores alertam ainda para o facto de que, se o sector do leite não ficar equilibrado, “Portugal passará, em breve, a ser deficitário numa área em que era auto-suficiente” e que a solução passa, assim, pela obtenção “um preço justo para o leite português, o que vai permitir cobrir as despesas de produção e remunerar o trabalho”.
No mês passado os responsáveis do sector encontraram-se com António Serrano, Ministro da Agricultura, num encontro em que “o ministro apelou à cooperação entre a produção, indústria e distribuição, para que contribuam para a existência de um preço justo em Portugal como forma de fazer face ao aumento dos custos de produção”, mas lembrando que “não é o Ministério que dita os preços”.
Fonte: Anil
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