Preço do leite aumenta pela sazonalidade

É a sazonalidade que motiva as indústrias a pagar mais dois cêntimos e meio por cada litro de leite, durante os próximos seis meses. A Bel, Insulac e Prolacto já deram a conhecer à Federação Agrícola dos Açores que vão aplicar esses aumentos, devido à sazonalidade, nos próximos seis meses, ou seja, os que correspondem ao Outono e ao Inverno.

Quanto à Unileite (União das Cooperativas Agricolas de Lacticínios e de Produtores de Leite da ilha de São Miguel), apenas divulgou a medida aplicada no inicio desta campanha , numa reunião realizada na passada segunda-feira, na sede da empresa. Gil Jorge, presidente da Unileite, recusou avançar as medidas da empresa na abertura da campanha de inverno, mas actualmente a empresa já paga mais 2,5 cêntimos por litro de leite aos produtores.

Quanto a Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola de São Miguel, em declarações à Açores TSF, mostrou-se satisfeito com a manutenção do acordo da sazonalidade, que permite aos produtores de leite aumentarem as suas receitas durante a campanha de inverno, afirmando que esse aumento é uma lufada de ar-fresco para a produção

Já o secretário regional da Agricultura e Florestas, Noé Rodrigues, referiu à Açores TSF que apesar da diminuição dos produtores de leite é necessário “continuar a aumentar a produção leiteira na região”.

A grande preocupação da Federação Agrícola vai agora para os produtores da ilha do Faial: a Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Faial (CALF) anunciou já que só vai pagar a três meses, o que para o presidente da Federação Agrícola dos Açores poderá “ser uma tragédia para o sector naquela ilha e liquidar totalmente a produção”.

CALF atrasa pagamentos
A Direcção da Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Faial (CALF) decidiu adiar, de forma unilateral, o pagamento do leite aos produtores de 60 para 90 dias, sem o conhecimento dos agricultores da ilha. A decisão foi dada a conhecer em carta enviada aos associados e onde a CALF explica que «por razões de ordem financeira», não será possível “efectuar o pagamento do leite a 60 dias”, como vinha acontecendo nos últimos anos.

Numa curta carta de apenas dois parágrafos, a direcção da cooperativa de lacticínios (a única da ilha), adianta que o pagamento aos produtores passará a ser feito a 90 dias, como acontecia no passado e apela à “compreensão” dos associados para tentarem ultrapassar esta situação. A decisão não foi bem acolhida pelos agricultores da ilha, nem pela Associação que os representa, a AAIF – Associação de Agricultores da Ilha do Faial.

António Ávila, presidente da direcção, disse que esta situação é “insuportável” para os lavradores, considerando mesmo que este atraso no pagamento à produção poderá representar “a morte lenta do sector”. O dirigente da associação lamentou também que os agricultores sejam sempre os mais penalizados quando chega a altura de “apertar o cinto”, defendendo que sejam ponderadas outras alternativas que não tenham de passar, necessariamente, por atrasar os pagamentos aos lavradores.

António Ávila propõe, por exemplo, que a Associação de Agricultores, a Direcção da Cooperativa e o secretário regional da Agricultura e Florestas, Noé Rodrigues, se sentem à mesma mesa para tentar ultrapassar este período de crise.

Mas para já, a Direcção da CALF garante que não tem alternativas, a não ser avançar com este adiamento no pagamento aos produtores. José Agostinho, presidente da cooperativa, disse que esta medida surge devido ao facto da fábrica não ter “liquidez financeira”. “Estamos a vender os nossos produtos abaixo do preço de custo”, explicou José Agostinho, justificando esta situação com as ‘leis do mercado’. Em tempo de recessão económica: “ou vendemos ao preço que não querem pagar, ou ficamos com o produto em casa!”. O presidente da CALF está, no entanto, confiante que este período de crise seja ultrapassado, mais cedo ou mais tarde.

Os cerca de 200 produtores de leite do Faial entregam anualmente na cooperativa 14 milhões de litros de leite, mas a viabilidade da fábrica só estaria assegurada, se a produção chegasse aos 20 milhões.

Fonte: Anil

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …