Preço das bebidas vai disparar no próximo ano

O aumento do preço do petróleo vai determinar, ao longo de 2008, a revisão em alta do preço das bebidas – com a exclusão do vinho – que poderá atingir valores na casa dos dois dígitos para uma alargada série de produtos, desde a cerveja e os refrigerantes até ao leite e seus derivados.

No caso das cervejas, os novos aumentos já programados para 2008 surgem na sequência de um outro ciclo de crescimento dos preços registado ao longo de 2007 (entre 25% e 35%). Com outra explicação: nessa altura, a tradicional guerra de preços entre os dois maiores operadores do mercado, a Unicer (Super Bock) e a Sociedade Central de Cervejas, SCC, (Sabres) chegou ao fim, pelo que os preços cresceram para incorporar o verdadeiro valor do produto – disseram há um ano os dois grupos.

Desta vez, a explicação para os aumentos é o preço do petróleo e, por simpatia, o das matérias-primas nos mercados internacionais. António Pires de Lima, CEO da Unicer, disse que “o preço das matérias-primas está altíssimo, assim como o do vidro, tudo por influência do petróleo”. Um registo em tudo idêntico ao de Alberto da Ponte, seu homólogo na SCC, que afirmou que “o incremento dos custos energéticos, da cevada – que chegou aos 30% em 2007 – e de outras matérias-primas” obriga a uma revisão em alta do valor da cerveja a injectar no mercado ao longo de 2008.

Num mercado que está estagnado há vários anos, os dois grupos prevêem que a factura da cerveja em 2008 tenha muito pouca margem de crescimento – uma vez que o aumento dos preços poderá ser descompensado pela diminuição da procura. Recorde-se que o mercado nacional de cerveja absorve cerca de 650 milhões de euros por ano. Para os operadores mais pequenos fica a ‘obrigação’ de seguir as tendências ditadas pelos líderes. “Vamos seguir aquilo que o mercado nos for mostrando, dado que não somos um ‘player’ que possa estabelecer tendências de preços”, disse o CEO da Drinkin (Cintra), Jorge Armindo.

Escassez de matéria-prima marca sector do leite
No sector do leite, o ciclo de crescimento dos preços também já começou – desde pelo menos Agosto passado. A Lactogal, líder do mercado (com uma facturação acima dos 600 milhões de euros), preferiu não comentar as novas tendências para 2008, mas a ANIL, a associação que agrega os agentes do sector, é a primeira a admitir que os preços vão continuar a subir. Até porque, diz, há escassez de oferta de matéria-prima. Neste quadro, as multinacionais parecem ter maior capacidade para defender os seus clientes. Lurdes Galhós, responsável da Danone (que factura acima dos 180 milhões de euros), afirmou que “a empresa fez um ajuste de 4% em 1 de Outubro passado, não havendo novos aumentos até Outubro próximo”.

Cevada mais cara 150% em três anos
Até 2005/06, os preços da cevada nos mercados internacionais rondavam os 130 a 140 euros por tonelada; no final de Outubro passado, quando acabou a campanha 2006/07, estavam nos 220 euros a tonelada; e actualmente, segundo dados fornecidos pela Unicer, já atingem cerca de 325 euros. Isto é, em três anos, este produto, que é uma das bases da produção de cerveja, aumentou 150% (uma média de 50% ao ano). Cada tonelada de cevada serve para produzir cerca de 5.750 litros de cerveja.

Feitas as contas, cada garrafa de cerveja (de 0,33 litros) incorpora apenas dois cêntimos de cevada; o problema é que, antes destes aumentos, a cevada incorporada numa garrafa custava apenas 0,8 cêntimos. E alguém tem que pagar esse aumento. E se nos restantes produtos agregados a uma cerveja os preços não cresceram nesta ordem de grandeza – a água, por exemplo, manteve uma estabilidade assinalável – a tendência geral é para o aumento dos preços. Vidro, lata, plásticos, e também os transportes sofreram aumentos impossíveis de contornar, segundo as empresas do sector. No final, o consumidor tem que pagar parte destes custos adicionais.

Fonte: Anil

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