Preço da carne vai aumentar

Daqui a três ou quatro semanas, os consumidores portugueses vão sentir mais um abalo no seus orçamentos o preço da carne ficará mais caro. A culpa é da seca, que provocou, de acordo com os dados ontem revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a pior campanha de cereais Outono/Inverno das últimas décadas, em Portugal.

“A nossa campanha de cereais é das piores de sempre”, confirma Francisco Carolino, presidente da Federação Portuguesa de Associações de Bovinicultores. “E isso tem uma repercussão directa na alimentação dos animais – não só nas rações, mas também nas palhas, uma matéria essencial para a produção de carne bovina”. Ora, com uma produção escassa, o preço da matéria-prima aumenta. “Os custos têm que ser repercutidos na venda nos animais. Diria, por isso, que a repercussão no preço final ao consumidor se fará sentir dentro de três a quatro semanas”.

Portugal consome cerca de 180 mil toneladas de carne por ano, sendo que, desse montante, 70 mil toneladas são importadas.

Colaço do Rosário, professor de Política Agrária na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), concorda com a visão de Francisco Carolino. “Sempre que há falhas na produção, a tendência é para que os preços subam e que essa subida se repercuta no consumidor. “Uma boa parte dos cereais é produzida para servir de suporte há alimentação dos animais. Este ano, por causa dos efeitos da seca, há um agravamento da situação”, diz o especialista.

Jacinto Bento, presidente da Federação das Associações de Comerciantes de Carne, difere na análise aos efeitos da seca sobre o preço da carne. “Nos próximos meses não haverá aumento de preços”, diz. “Portugal importa 70 mil toneladas de carne, sobretudo da América do Sul, o que é um valor elevado comparado coma produção nacional, de cerca de 100 mil toneladas”. E como “o preço está estável nos mercados internacionais”, há sempre hipótese de a eles recorrer para contrabalançar a quebra na produção em Portugal. “Além disso, os próximos meses serão de férias, com muita gente a ir para o Algarve, região que se abastece sobretudo em Espanha. Essa deslocação de pessoas implica também a deslocação da procura”.

“Podemos, de facto, recorrer à importação, mas isso colocará um sério problema aos produtores nacionais”, responde Franciso Carolino. “Os nossos preços até são competitivos na Europa, mas dificilmente os produtores conseguirão aguentar sem procederem a um aumento dos preços”. “Se as importações subirem exponencialmente, não conseguiremos escoar os nossos produtos, logo teremos que trabalhar abaixo do preço de custo. As consequências desse facto para a fileira serão seguramente muito más”, concretiza o presidente da Federação de Bovinicultores.

O relatório do INE lançava, ontem, os primeiros alertas pouca disponibilidade de alimentação natural para o gado tem como consequências imediatas o aumento dos custos de produção de carne e a diminuição de qualidade dos produtos de origem animal e afecta a constituição de stocks de produtos forrageiros para o próximo Inverno. A capacidade regenerativa dos prados e pastagens para o próximo ciclo produtivo está também posta em causa.

Fonte: JN

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