Portugueses não param de cortar nas compras

Crise obriga a uma maior poupança, com menos idas ao hiper ou supermercado, mas em maior volume, revela o estudo Consumidor Português e o Grande Consumo, da Kantar Worldpanel, ao apontar que 73% dos lares portugueses já sentem a crise.

Ainda Ana Esteves, 52 anos, com os óculos na ponta do nariz, tentava perceber o preço dos packs de leite, no Jumbo, já a filha Madalena, 16 anos, lhe indicava, triunfante, a opção mais barata: “Este aqui, mãe, é da marca deles e nem se nota.” Após se certificar de que a poupança era de cinco euros, nos 12 conjuntos de seis pacotes de leite, Ana confessa: “Sabe, somos cinco lá em casa e, com a crise que está aí, tudo o que conseguirmos poupar no final do mês faz muita diferença.”

Como Ana Esteves, muitas famílias portuguesas estão a ser criteriosas nas compras e, como indica o referido estudo, os portugueses vão às compras menos vezes e, quando vão, compram em maior quantidade para poupar, sendo esta a tendência para 2011.

Assim, segundo o mesmo estudo, feito num universo de 3000 famílias, verifica-se que os portugueses compram menos combustíveis (-16,7%), menos roupa (-13,5%), enquanto o mercado de fast moving consumer goods (FMCG, em que se incluem as mercearias de curta duração, bebidas, higiene pessoal e lar) cai 5%.

Impulsionadas por esta conjuntura de crise – em que o desemprego é a maior preocupação (62%) -, as famílias portuguesas optam cada vez mais por marcas próprias dos hiper e supermercados (MDD). Actualmente, Portugal tem uma quota de 33,6%, contra o Reino Unido, com a maior fatia da Europa (46,5%).

A procura do preço baixo é uma realidade confirmada pelo facto de este sector representar, segundo a Kantar Worldpanel, 86% do valor total gasto em FMCG. Em contraponto, 39% dos lares não foram às compras ao comércio tradicional, sendo os frescos a razão principal para esta perda, que continuará.

Este aumento das compras de FMCG feitas na distribuição moderna reflecte-se num aumento generalizado dos seus players, com destaque para a Sonae e Jerónimo Martins, com o Continente a subir 1,2 pontos percentuais e o Pingo Doce a crescer 0,8 pontos.

Outro dos hábitos que tendem a crescer é a transferência do consumo para casa e daí para fora, ou seja, os portugueses compram os alimentos, confeccionam-nos e levam-nos para o trabalho, por exemplo. Surge também aí uma maior apetência para a compra de refeições congeladas e prontas, ou até gourmet.

Fonte: Anil

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