A crise levou muitos portugueses a reduzir as suas despesas mas não cortaram na alimentação. Pelo contrário, até passaram a comer mais em casa, pelo que os híper e supermercados, entre outros estabelecimentos, viram aumentar o seu volume de negócios em 2008.
Os negócios ligados ao sector alimentar registaram crescimentos entre os seis e os 23 por cento, de acordo com um estudo apresentado ontem pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que representa aqueles estabelecimentos.
Os valores surpreenderam a própria associação, como confessou ontem o presidente da APED Luís Vicente Dias, admitindo que este ano algumas marcas poderão sofrer reduções nas vendas. Mas, regra geral, o sector da grande distribuição resistiu à crise, que está a criar dificuldades à maioria dos cidadãos e das empresas.
Na distribuição, a maior fatia foi para o comércio de produtos alimentares, com 69 por cento do volume de negócios, seguindo-se as vendas de bens electrónicos de consumo com 10 por cento das vendas.
O volume de negócios na distribuição em geral (sector alimentar e não-alimentar) aumentou 12 por cento em 2008, tendo superado os 14 mil milhões de euros. Em regra, todos os híper e supermercados viram as suas vendas aumentar.
No entanto, os maiores aumentos registados, o caso da Sonae Distribuição (Continente, Modelo) e da Jerónimo Martins (Feira Nova, Pingo Doce), devem-se ao facto de terem adquirido lojas de outros grupos, respectivamente, Carrefour e Plus.
O sector não-alimentar, que inclui desde lojas de roupa a bricolage, também registou crescimentos, com a Worten a liderar a tabela, tendo chegado ao final de 2008 com um volume de negócios de 648 milhões de euros. Mas neste sector os resultados não são tão homogéneos: Quebramar, Staples e Massimo Dutti, por exemplo, foram algumas das cadeias que registam quebras nas vendas.
Minipreço com mais lojas
Em número de lojas, a liderança pertence ao grupo Minipreço, com 478 estabelecimentos, logo seguido do Pingo Doce, com 334, que registou um crescimento de 50 por cento face a 2007 devido à transferência da insígnia Feira Nova para Pingo Doce e à abertura de novas lojas.
As cadeias associadas da APED empregavam, em 2008, mais de 80 mil pessoas, tendo criado mais 5473 face a 2007. Com o aumento das vendas, registou igualmente uma subida do seu peso na produção da riqueza nacional ao representar 8,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), contra os 7,7 por cento que registava em 2007.
Ranking: Volume de Negócios (valores em milhões de euros)
2008 2007 Diferença
Sonae Distribuição 4.755 3.864 +23%
Jerónimo Martins 2.665 2.260 +18%
Auchan 1.434 1.280 +12%
LIDL 1.236* 1.123* +10%
Minipreço 904 797 +13%
El Corte Inglés 467 451 +4%
Fnac 329 317 +4%
IKEA 312 206 +51%
Staples 190 207 -8%
Moviflor 185 152 +22%
* Valor estimado pela APED
Fonte: APED
Gigantes da Distribuição
Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos são actualmente presidentes dos Conselhos de Administração dos grupos empresariais que expandiram e que são líderes no sector da Distribuição em Portugal. A Sonae Distribuição teve no ano passado um volume de negócios de 4,75 mil milhões de euros. Já a Jerónimo Martins, segunda no ranking das maiores empresas de distribuição, registou um volume de negócios de 2,66 mil milhões de euros.
Perfis
Alexandre Soares dos Santos, nasceu no Porto, em 1934. Frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa e iniciou a vida profissional em 1957, na Unilever N.V., desenvolvendo uma carreira internacional. Regressou a Portugal em 1968 para integrar a Jerónimo Martins, cujo controlo acabou por assumir.
Belmiro de Azevedo, nasceu em Tuias, Marco de Canaveses, a 17 de Fevereiro de 1938. Filho de uma costureira e de um carpinteiro, licenciou-se em Engenharia Química, na Universidade do Porto. Assumiu o controlo da Sonae em 1974. Foi durante anos considerado o homem mais rico de Portugal.
Crise muda hábitos das refeições
O crescimento do volume de negócios na distribuição, sobretudo no sector alimentar, deve-se ‘à transferência do consumo de fora para dentro de casa’, afirmou o presidente da APED, Luís Vicente Dias. Por outro lado, a crise leva muitas pessoas a adiar a compra de bens mais duradouros, como electrodomésticos, acrescentou aquele responsável.
As dificuldades económicas estão também na origem do crescimento das marcas próprias dos híper e supermercados, devido ao seu preço mais baixo. Segundo Luís Vicente Dias, as marcas próprias já representam mais de 30 por cento das vendas, depois do crescimento dos últimos dois anos.
O consumo dos lares portugueses já voltou a aumentar este ano, pelo menos no primeiro trimestre, de acordo com o painel TNS Worldpanel, uma empresa que faz estudos de mercado, referindo que os preços médios das várias categorias se mantiveram estáveis face ao mesmo período de 2008.
A TNS destaca ‘o aumento verificado nas categorias de produtos alimentares, onde 61 por cento cresceu’. Neste âmbito, o mesmo estudo sublinha o crescimento dos produtos congelados.
Por outro lado, também se registou um aumento do valor gasto nos produtos de limpeza, drogaria e beleza, que tinham tido ‘quebras relevantes nos últimos meses de 2008’ e que no primeiro trimestre apresentaram subidas significativas nas vendas.
Maiores crescimentos
Carne: + 66%
Peixe: + 22%
Legumes: + 21%
Batatas: + 19%
Pormenores
> Consumo de pão caiu mais de 15%, em Portugal, nos primeiros cinco meses deste ano. Isto apesar de se ter registado uma diminuição do preço.
> Área de venda: olhando para os números, o sector da Distribuição fechou o ano com um total de 2.394 mil metros quadrados de área de venda, uma subida de 11 por cento.
> Lojas crescem: em linha com o aumento das vendas, houve um crescimento no número de lojas abertas. Em 2008 assistiu-se à inauguração de 266 novas lojas, mais 13 por cento do que em 2007.
> Contratos sem termo: segundo os dados da APED, dois terços do emprego (67%) criado pelo sector da Distribuição estão enquadrados por contratos de trabalho sem termo.
Fonte: Anil
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