Portugueses cortam nas idas às compras

Os portugueses estão a ir menos vezes às compras nos hipermercados e supermercados, mas quando o fazem compram mais artigos e mais baratos, resultado directo da menor despesa em restaurantes. O consumo em casa aumentou em todas as classes sociais.

O estudo sobre “O Grande Consumo em Portugal”, da Kantar Worldpanel Portugal, que foi divulgado ontem, revela ainda que além de haver uma tendência dos consumidores portugueses para se deslocarem menos vezes às grandes superfícies, se regista uma redução das idas a centros comerciais e a postos de combustível.

Estes novos movimentos dos consumidores portugueses seguem a tendência da Europa e, segundo Paulo Caldeira, director de marketing e new business da Kantar Worldpanel Portugal, vão acentuar-se no próximo ano. “O que podemos antever com os dados que temos é que em 2011 haja uma redução dos gastos das famílias, um aumento da compra das marcas de distribuidor e aumento do consumo de alimentação em casa”, adianta Paulo Caldeira.

Até Agosto deste ano, o estudo que é realizado junto de três mil famílias portuguesas, mostra que a opção por marcas de distribuidor MDD (marcas próprias dos hipers e supers), está a subir de ano para ano. “Em 2007, na Europa, por cada 100 euros em compras, 30 euros eram de MDD. Agora, em cada 100 euros, 32 euros são artigos de marca própria e em 2015 deverá chegar aos 34 euros por cada 100 euros de compras”, refere Paulo Caldeira. Actualmente, a quota das MDD em Portugal é de 33,8% e a nível europeu é o Reino Unido que tem a quota mais elevada com uma percentagem de 46%.

Os portugueses continuam a consumir as mesmas coisas, mas procuram produtos mais baratos. “O preço médio gasto reduziu-se em 2,3% devido a uma deflação do preço dos produtos alimentares frescos e um ‘downgrade’ por parte dos consumidores. Em vez de comprarem maçã a um preço mais caro, compram a que tem o preço mais barato”, explica Paulo Caldeira. Em termos de valor, o mercado de bens de consumo rápido, FMCG, em Portugal está a cair 3% este ano, face ao período de Janeiro a Agosto de 2009. Nota-se, de resto, um aumento das compras de alimentos e bebidas “porque estão a comer mais em casa, em detrimento dos restaurantes”, salienta Paulo Caldeira.

Conclusões
Comprar mais e barato: o valor das cestas de compras de bens de consumo rápido, FMCG, caiu 5,4% de Janeiro a Agosto de 2010, face aos mesmos meses de 2009. Mas o cabaz das cestas de compras aumentou de 28,1% em 2009, para 28,6%.
Aumenta a procura: o estudo conclui que a procura de produtos congelados e de comida pronta vai aumentar.
Menos compras: a nível global a frequência das compras caiu 13,5% no têxtil, 5% nos FMCG (bens de consumo rápido), e 16,7% nos combustíveis.
79,5%: a grande distribuição tem uma quota de mercado de 79,5% do valor gasto em FMCG em Portugal.
16%: O Continente lidera com uma quota de mercado de 16,7%, Pingo Doce tem 15,8%, Modelo 12,4%, Intermarché 9,8%, Lidl 9%, Minipreço 7,1%, Auchan (Jumbo e Pão de Açúcar) 7,1% e E.Leclerc 1,5%.

Fonte: Anil

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