As metas propostas pelo Governo para os biocombustíveis, muito acima das ambições comunitárias, podem estar comprometidas.
Os empresários responderam com um investimento de 700 milhões de euros na produção de biodiesel, mas Portugal não conseguiu escapar à crise do sector, o que levou à suspensão da produção em cinco fábricas nacionais, que já estavam operacionais.
Esta interrupção teve início em Janeiro, pela Iberol; seguida pelo Prio, do grupo Martifer; pela Torrejana; Tagol e Biovegetal, estando ainda outras unidades industriais, que deveriam arrancar em breve, comprometidas, como é o caso da Enerful e da Greencyber.
As refinarias da Galp previam incorporar, este ano, cinco por cento de óleo vegetal no gasóleo para a produção de biodiesel, mas perante a recente crise será difícil aproximarem-se desta meta, mesmo com uma inversão da situação e uma retoma da produção, esta dependente quase totalmente da importação de matéria-prima.
Note-se que em 2007 este agrupamento não ultrapassou os três por cento, ficando assim muito aquém dos 10 por cento fixados pelo Governo para 2010, quando os restantes Estados-membros apenas estão obrigados a cumprir a mesma percentagem em 2020.
Portugal não resistiu à onda de crise que passa pelo sector e a escalada dos preços das matérias-primas provocou uma paragem da produção do biodiesel, um modelo em detrimento do bioetanol, utilizado na gasolina.
A isenção do imposto prometida pelo Governo sobre os produtos petrolíferos, no período de 2008-2010, não foi suficiente para animar os empresários, para além da possibilidade de os fabricantes de biodiesel poderem produzir 20 por cento da quota que tinham obtido no ano anterior, de forma a não haver paragens de produção, quota que não foi utilizada devido aos preços altos das matérias-primas, cada vez mais caras.
Segundo o Diário Económico, a solução do problema está nas mãos do Estado que deverá antecipar a obrigatoriedade de todas as petrolíferas passarem, ainda em 2008, a administrar no gasóleo 5,3 por cento de biodiesel, sendo a restante incorporação gradual até 2010, de forma a atingir os 10 por cento estabelecidos pelo executivo.
O mesmo jornal adianta que o Governo está receptivo com esta ideia, já praticado em França e na Alemanha, países que podem juntar até sete por cento do biodiesel.
Uma certeza deste mercado é o facto de no futuro o negócio deixar de receber benefícios fiscais, a partir de 2011, e passar a auto-sustentável, pelo que o produto terá de ser competitivo, caso contrário as petrolíferas deixam a ameaça de não comprarem biodiesel.
Fonte: DiárioEconómico
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