No próximo ano Portugal pode recolher mais pescada mas em menos dias
A chave de repartição das quotas de pescado definida ontem para os países da União Europeia, em relação a 2011, beneficia Portugal em algumas espécies, como a pescada, mas prejudica noutras, como o lagostim. O certo é que o consumo não pára de subir.
Após dois dias de negociações em Bruxelas, Portugal conseguiu aumentar as capturas de pescada (15%), tamboril (5%), bacalhau (4%) e biqueirão (7%), mas vai ter de reduzir no carapau (-8%) e no lagostim (-10%). No caso da pescada, os pescadores vão ter de reduzir a actividade em 22 dias (a Comissão Europeia queria um corte de 158 dias).
O ministro da Agricultura e Pescas, António Serrano, considerou que os interesses nacionais foram salvaguardados, embora tenha admitido não estar “totalmente satisfeito”. De resto, os armadores do Algarve já manifestaram preocupação com o corte no lagostim, enquanto os armadores das pescas industriais ponderam juntar-se a espanhóis e franceses no incumprimento do regulamento aprovado.
Ávidos de peixe
Portugal bem precisaria de ter mais peixe à disposição. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o consumo de peixe tem vindo a subir, pelo menos desde 2004. A dose média diária subiu de 57 gramas por habitante naquele ano, para 68 g/hab, em 2008.
Apesar de as capturas estarem a aumentar este ano face ao ano passado – de Janeiro a Setembro, houve uma subida de 52% para 25 807 toneladas, segundo o INE -, o país não é auto-suficiente. As importações de pescado, de Janeiro a Outubro, totalizaram 1015 milhões de euros, enquanto as exportações se ficaram pelos 425 milhões de euros. Importamos sobretudo bacalhau, camarões e chocos e exportamos sardinhas, filetes, bacalhau e polvo.
O país conta com 17 339 pescadores e 8562 embarcações, mais do que as 5070 registadas em 2007.
Fonte: Jornal de Notícias
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