Portugal não embarga carne de aves de França

Portugal não entra em “guerras comerciais” que usem o H5N1 como arma. Por isso, não vai restringir a importação de carne de aves e produtos derivados de França, o primeiro país da União Europeia a detectar o vírus da gripe das aves em explorações avícolas. É que, para o ministro da Agricultura, Jaime Silva, não há ainda um problema alimentar ou de saúde pública que o justifique.

A crise que levou 43 países a declarar o embargo total ou parcial à carne de aves e foie gras (pasta de fígado de ganso ou pato) está “perfeitamente controlada”. Ontem, durante uma visita ao Parque Natural da Ria Formosa – uma das 19 zonas de risco de entrada do H5N1 identificadas pelo Instituto de Conservação da Natureza -, o ministro defendeu que este boicote tem a ver exclusivamente com “questões comerciais”.

É, de resto, para contrariar esse movimento que o governo francês está a levar a cabo, através das suas embaixadas, uma operação diplomática sem precedentes. A ideia é sensibilizar os consumidores para que não deixem de comprar qualquer tipo de carne francesa. Dentro do país, o consumo de aves já desceu 30% e os produtores exigem que o governo os proteja do histerismo. Para piorar tudo, a lista de países que querem restringir a importação destes produtos não pára de crescer.

“Portugal está a gerir a crise da gripe das aves a nível comunitário e não isoladamente”, diz Jaime Silva. Toda a UE está a cumprir as medidas decididas pelo Comité Permanente Veterinário “e nós seguimos essa decisão conjunta”, afirmou. Entre os 25 está estabelecido que ” um estado membro que tenha um foco tem de isolar essa área e abater todas as aves, não sendo possível comercializar a carne proveniente da zona”.

No que diz respeito ao foie gras, o ministro lembrou que o comité decidiu, na semana passada, que França podia vacinar as aves em determinadas regiões para proteger aquela importante indústria, mas deliberou igualmente que dessas regiões não poderiam ser exportados animais vivos. Uma garantia que levou Portugal a abster-se na votação sobre a vacinação, frisou. Para o ministro, não há motivos, no seio da UE, para embargar os produtos franceses. “A UE não pode ceder a guerras comerciais, desencadeadas por países terceiros.”

Gato infectado não assusta

A morte de um gato infectado com gripe das aves na Alemanha – onde já foram detectadas 100 aves selvagens com H5N1 – não surpreendeu Jaime Silva. “A probabilidade de um gato semi-selvagem ser contaminado numa ilha onde há um número significativo de cisnes atingidos é enorme”, afirma.

Não há, por isso, razão para reforçar as medidas de segurança em Portugal. Até porque “temos feito campanhas junto dos produtores de aves e desde Setembro que se aplicam medidas reforçadas de segurança nas criações, já que no nosso país mais de 80% da produção de aves é industrial”. E “já fizemos mais de 1200 análises desde Janeiro”, diz.

Ontem, as autoridades suíças confirmaram a presença do H5N1 num ganso selvagem. Na Grécia e na Roménia surgiram três novos focos de gripe aviária. E a Organização Mundial do Turismo avançou que alguns países da Ásia e a Turquia já perderam turistas por causa da gripe das aves.

Fonte: DN

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