O Director-Geral de Veterinária e membro da Comissão de Acompanhamento da Gripe Aviária, Agrela Pinheiro, disse ontem que está a ser analisada a hipótese de vacinar as aves em jardins zoológicos de risco.
O responsável, que falava em conferência de imprensa, não especificou quais dos mais de 30 parques zoológicos existentes em Portugal poderão ser alvo de vacinação.
Agrela Pinheiro apenas referiu que são considerados de risco os parques zoológicos que estão em zonas com grande afluência de aves migratórias aquáticas e onde não existe protecção das espécies face ao contacto.
Em Espanha já foram identificadas 18 zonas de risco, dada a elevada concentração de aves migratórias, entre as quais se encontram Doñana, os deltas do Ebro e do Llobregat, a albufeira de Valência, as salinas de Santa Pola, em Alicante, e o parque da baía de Cadiz.
“A União Europeia determinou que fossem identificados os Jardins Zoológicos de risco para proteger as aves de algum surto. É uma medida de protecção”, disse o Director-Geral de Veterinária.
Relativamente ao Jardim Zoológico de Lisboa, o responsável adiantou que ainda nada está decidido.
Em comunicado divulgado segunda-feira, o Jardim Zoológico de Lisboa afastou a possibilidade de contágio dos animais em cativeiro com a gripe das aves e assegurou que os espécimes são regularmente analisados para despistar quaisquer doenças.
O Zoo garante que “todos os animais estão em cativeiro, não sendo assim possível o contacto directo com animais infectados que possam vir do exterior”, bem como que são “regularmente testados e analisados sanitariamente para despiste de qualquer doença”.
O comunicado esclarece que nem o Zoo nem qualquer entidade nacional pode realizar a vacinação voluntária dos animais, que só pode ocorrer por imposição da União Europeia ou do Governo português.
O Director-Geral de Veterinária disse ainda que em análise está também a decisão de protecção física das aves domésticas criadas ao ar livre em zonas de risco pelo que será igualmente necessário identificar essas zonas.
“Temos de identificar as áreas de risco e depois de identificadas tentaremos impedir o contacto das aves com as domésticas”, disse, acrescentando que a questão será alvo de uma normativa e circular a divulgar ainda esta semana.
Questionado sobre as aves que existem nos parques públicos e sobre a hipótese de virem a ser tomadas medidas, o Director-Geral de Veterinária explicou que não se deve avançar para “medidas irracionais” dado que não existem em Portugal casos do vírus H5N1.
“Têm de ser os cidadãos em geral a ter cuidados de higiene (como lavar as mãos em caso de contacto com as aves). Não temos sequer o vírus em Portugal e por isso não podemos tomar medidas irracionais de encerrar os jardins públicos ou de eliminar as espécies que lá existem”, disse.
No encontro com os jornalistas, Agrela Pinheiro disse ainda que no caso de serem encontradas aves mortas devem ser contactados os médicos veterinários municipais ou a Direcção-Geral de Veterinária.
No Laboratório Nacional de Investigação Veterinária foram recebidas até à presente data, 537 amostras para exame virológico (zaragatoas, fezes e órgãos) e cerca de três mil soros para exames serológicos, num total de 3.537 análises.
Para o ano em curso, estava previsto efectuar no plano de vigilância 520 amostras para exame virológico e 5.000 para exames serológicos.
Fonte: Lusa
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