Porto: perito alerta para perigo de bioterrorismo na água

O hidrobiólogo Bordalo e Sá alertou hoje para a grande vulnerabilidade do sistema de abastecimento de água aos 20% dos portugueses que vivem no Grande Porto, face a actos bioterroristas e mesmo a acidentes na fonte.
O Grande Porto é abastecido a partir de captações no terço superior da albufeira do Rio Douro, um curso de água internacional que tem a maior parte da sua bacia hidrográfica em Espanha.

«Ninguém pensa que a ETA, o governo de Madrid, ou seja o que for, nos vai despejar alguma coisa antes de Miranda do Douro para nos deixar todos inquinados. Mas também há esse risco e temos que equacioná-lo», afirmou o especialista.

«Temos uma grande vulnerabilidade não só face potenciais actos bioterroristas, mas também a acidentes», sublinhou Bordalo e Sá.

Exibindo uma foto de dois barcos turísticos do Douro quase em colisão, a 24 de Julho de 2004, Bordalo e Sá defendeu que bastaria o acidente ter-se consumado «para que dois milhões de portugueses ficassem vários dias sem água», devido ao derrame de combustível.

Ao produzir uma intervenção sobre «a importância da água no bioterrorismo», no âmbito de um curso livre sobre Medicina Legal, o especialista lamentou a postura de «deixa correr» dos portugueses face ao risco.

«Não estamos preparados colectivamente para o risco. Somos reactivos e não preventivos. Mas, relativamente à água, a vulnerabilidade é real», assegurou o especialista.

Bordalo e Sá lembrou um acidente ocorrido em 2002 nas captações de água que servem Leiria e que deixaram a cidade cinco dias sem abastecimento público de água.

Recordou ainda que a última epidemia de cólera na Europa Ocidental ocorreu em Portugal, em 2004, a partir de água engarrafada para comercialização.

Fonte: Diário Digital

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