Porto: I Congresso Nacional de Chá promove produção portuguesa, única na Europa

A Casa dos Açores do Norte (CAN) promove em Março, no Porto, o I Congresso Nacional do Chá, que pretende divulgar a produção portuguesa do produto, única a nível europeu, anunciou hoje à agência Lusa a organização do certame.

De acordo com fonte da CAN, a EXPO Chá 2006 vai decorrer no Círculo Universitário do Porto, entre 17 e 19 de Março, e vai contar com a presença de 13 stands/expositores, entre os quais os dois únicos produtores de chã da Europa, oriundos do arquipélago dos Açores.

A par das demonstrações, da iniciativa consta um programa “recheado” de intervenções subordinadas ao tema e que abordarão os aspectos alimentares, nutricionais, históricos, económicos e sociais do chá.

Segundo a fonte, o consumo de chá tem vindo a crescer de uma forma geral em Portugal e por isso, durante o certame, será ainda proposta a criação de uma Confraria Portuguesa de Chá.

As únicas fábricas e plantações de chá na Europa localizam-se em Portugal, na ilha de S. Miguel, nos Açores, onde se produz o chá Gorreana e o chá Porto Formoso para consumo interno e exportação.

As unidades, que mantêm a fórmula tradicional de produção de chá (folhas enroladas), produziram no ano passado cerca de 40 toneladas deste produto e esperam em 2006 melhorar os resultados à custa do aumento do consumo na Madeira e no Continente, em especial do chá verde.

De acordo com o responsável pela Fábrica de Chá da Gorreana, esta unidade conseguiu no ano passado receitas na ordem dos 35 mil euros, tendo produzido um total de 34,5 toneladas (18.000 quilos de chá preto e 16.500 de chá verde), contra as 31,5 toneladas conseguidas em 2004.

Destes, explicou à Lusa, 13,5 toneladas destinam-se ao consumo no mercado açoriano, 9,5 toneladas a clientes europeus (em especial Alemanha e países Nórdicos), 3,9 toneladas seguem para o Continente e 600 quilos para o arquipélago da Madeira.

A fábrica, que mantém a sua estrutura inalterada desde a Revolução Industrial, possui 32 hectares de plantação, 30 trabalhadores e uma capacidade máxima de produção de 42 toneladas/ano.

Segundo Hermano Mota, não é possível competir com os grandes produtores mundiais de chá, por isso a unidade fabril mantêm a sua forma “diferenciada e ortodoxa” de produzir o produto nas variantes de preto e verde.

Os turistas que visitam a ilha açoriana constituem igualmente uma grande fonte de receita do chá aqui produzido, acrescentou.

Originário da China, o chá foi introduzido na Europa no século XVI pelos descobridores portugueses, que o trouxeram das suas viagens ao Extremo-Oriente e o popularizaram por todo o mundo ocidental.

O conhecido hábito inglês do “chá das cinco” foi aliás instaurado naquela corte no século XVIII por Catarina de Bragança, filha de D. João IV, rei de Portugal, que casou com Carlos II e assim se tornou rainha de Inglaterra.

Actualmente, cerca de 40 países produzem 2,5 milhões e meio de toneladas de chá anualmente.

A Índia é o primeiro produtor mundial do produto, com 750 mil toneladas, seguindo-se a China (600 mil toneladas) e o Ceilão (250 mil toneladas).

Fonte: Agroportal

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