Portas quer Governo empenhado em conseguir “acordo mais justo” entre agricultores e distribuição

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu ontem um empenhamento do Governo num “acordo mais justo” entre os agricultores e a “grande distribuição”, considerando que há uma excessiva vantagem por parte dos distribuidores em detrimento dos produtores agrícolas.

“O Governo português deve empenhar-se, como aconteceu na Galiza, como aconteceu em França para, em função do que está a acontecer com os preços, conseguir um acordo mais justo entre quem produz e a grande distribuição”, defendeu.

O líder democrata cristão falava aos jornalistas na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, que visita pela segunda vez no espaço de poucos dias, onde defendeu uma “aposta radical na agricultura”, como forma de reduzir o endividamento do país, e criticou a “incompetência” do Ministério da Agricultura em gerir os fundos comunitários.

Segundo Paulo Portas, “neste momento, as coisas estão excessivamente vantajosas para o lado da grande distribuição e muito difíceis para muitos produtores agrícolas e florestais em Portugal”. “É preciso que o Governo se empenhe em conseguir um acordo justo”, sublinhou.

O presidente do CDS-PP afirmou que “Portugal não pode ser especialista em perder fundos, adiar fundos ou desperdiçar fundos”, destacando que quando o programa de fundos comunitários para a agricultura (Proder) está sensivelmente a meio, “na melhor das hipóteses, estão apenas pagos 18 por cento”.

Contudo, frisou, “naquilo que é relevante, ou seja, investimento na agricultura, modernização da agricultura, o que está efectivamente pago está entre seis e sete por cento”.

Por outro lado, as candidaturas em 2010 estão congeladas, afirmou. “Em 2010, um agricultor não pode apresentar um projecto, uma candidatura para um investimento na agricultura porque a incompetência do Ministério da Agricultura é tal que deixaram atrasar, atrasar, atrasar candidaturas de há dois anos, candidaturas de há um ano, não as conseguem resolver e não permitem abrir concursos este ano”, sustentou.

Com a renegociação da Política Agrícola Comum (PAC) em 2013, “Portugal tem que mostrar competência em gerir fundos comunitários”: “Se não, quando nós formos pedir mais fundos, a seguir a 2013, vão responder-nos ‘tivessem usado melhor os fundos anteriores’”.

Portas responsabilizou o “consulado socialista” pela transformação da agricultura em “parente pobre” da política económica e defendeu uma “aposta radical” no sector como forma de reduzir o endividamento do país.

“Se Portugal tem que produzir mais, tem que investir na agricultura, se quer exportar mais tem que apostar na agricultura, se quer substituir importações, tem que produzir cá dentro uma parte significativa dos bens que os portugueses precisam para se alimentarem”, argumentou.

Ainda sobre os fundos comunitários, reiterou que as candidaturas devem ser “permanentes”, devem ser “simples” para os agricultores não necessitarem de uma “licenciatura” para se poderem candidatar, devem ser objecto de pagamento “a horas” e de uma “decisão rápida”.

“Se passa o prazo, está tacitamente aprovado [o projecto sujeito a candidatura]”, afirmou.

Fonte: Agroportal

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