Portalegre: CDS visita fábrica de amêndoas e recusa que ASAE seja “polícia do gosto”

O vice-presidente do grupo parlamentar do CDS, Pedro Mota Soares, defendeu hoje que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) não se pode transformar numa “polícia do gosto”, numa visita à extinta fábrica das amêndoas de Portalegre.

O deputado centrista falava aos jornalistas durante uma visita, com o respectivo grupo parlamentar, à fábrica das amêndoas de Portalegre, cuja proprietária diz ter sido “aconselhada” pela ASAE a não abrir portas este ano, alegadamente por “falta de espaço”.

A unidade, segundo confirmou à agência Lusa a própria ASAE, não foi alvo de fiscalização (por se encontrar encerrada e só abrir no período da Páscoa), mas foi visitada por inspectores que contactaram com a proprietária.

“Ainda solicitei aos agentes da ASAE se poderia fazer, em menor quantidade, umas amêndoas para agradar aos clientes e para que a tradição não se quebrasse, mas a resposta foi negativa”, lamentou Joaquina Vintém à agência Lusa, na última terça-feira.

Para Pedro Mota Soares, neste caso concreto da centenária fábrica de amêndoas, faltou “bom senso” e houve “excesso de zelo” na aplicação da lei por parte da ASAE.

“Este é mais um caso onde a falta de bom senso da ASAE e o excesso de zelo na sua actuação está a prejudicar os portugueses”, disse.

O deputado do CDS realçou que as amêndoas de Portalegre são “um produto tradicional, um cartão de visita da cidade que sempre foi trabalhado com segurança e higiene”.

Em todo este processo, sustentou, houve “um conjunto de excessos de aplicação da lei” que levaram ao encerramento da unidade e “à proibição de dois portugueses poderem trabalhar”.

Segundo o grupo parlamentar, o CDS “não tem problemas” com a ASAE quando esta entidade apreende produtos fora de validade, mas também não pode “aplaudir a ASAE quando a lei é aplicada em excesso”.

Na próxima semana, o CDS vai discutir na Assembleia da República um projecto de resolução que recomenda ao Governo “bom senso e proporcionalidade” na actuação da ASAE.

Durante a discussão, o CDS pretende ainda abordar o regulamento e o estatuto das pequenas indústrias tradicionais.

Todos os anos, pela época do Carnaval, a proprietária da unidade fabril de Portalegre, Joaquina Vintém, também conhecida pela confecção de doçaria conventual, começava a trabalhar nas amêndoas pascais, com grande procura na Grande Lisboa e no Grande Porto.

No entanto, a única família da região de Portalegre que fabrica as tradicionais amêndoas e que tinha também frequentado recentemente um curso de higiene e saúde no trabalho, promete não baixar os braços e, segundo Joaquina Vintém, talvez regresse já no próximo ano à laboração.

Um dos filhos de Joaquina Vintém prevê construir, na zona industrial da cidade, uma fábrica para produzir doces conventuais, que poderá integrar a produção das tradicionais amêndoas.

Enquanto as amêndoas de Portalegre não regressam ao mercado, Joaquina Vintém promete guardar o segredo da produção deste doce a “sete chaves”.

À base de amêndoas provenientes de amendoeiras da região, o doce era confeccionado em redor de duas caldeiras aquecidas (género betoneiras).

Nessas caldeiras, que rodam sem parar cerca de oito horas, tempo que dura a produção, o casal colocava açúcar e chocolate suficiente até a amêndoa ganhar a textura e o seu tamanho normal.

As caldas eram produzidas à parte, em tachos de cobre.

No ano passado, as amêndoas de Portalegre tinham um preço de mercado de dez euros o quilograma, sendo também comercializadas em pacotes de 250 gramas.

Fonte: Agroportal

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