As causas da morte de dezenas de bovinos, nas últimas semanas, na zona de Portalegre deverão ser conhecidas «até ao final desta semana», adiantou ontem o veterinário responsável pelo Agrupamento de Defesa Sanitária (ADS) local.
«As análises foram efectuadas em várias explorações agrícolas, principalmente nas mais afectadas, e penso que até ao final da semana vamos ter os resultados», afirmou José Cachapa, em declarações à agência Lusa.
O responsável pelo ADS de Portalegre considerou ser «norma» que não sejam já conhecidos os resultados das análises, uma vez que existe um conjunto de testes que são um pouco mais «morosos».
O presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Portalegre (AADP), António Bonito, garantira na última quinta-feira que dentro de «dois ou três dias» haveria respostas sobre as causas da morte das vacas em vários concelhos do distrito de Portalegre.
O responsável da AADP falava aos jornalistas, em Monforte (Portalegre), após uma reunião com os veterinários da associação, a Direcção-Geral de Veterinária, Laboratório Nacional de Investigação Veterinária e um laboratório especializado.
Contactado ontem pela Lusa, um agricultor da zona de Nisa, que solicitou o anonimato, garantiu que continuam a registar-se «dia após dia» várias mortes de bovinos naquela zona do distrito de Portalegre.
Durante o encontro com os jornalistas em Monforte, António Bonito explicou que, num universo de 3.815 explorações agrícolas no distrito de Portalegre, onde existem cerca de 200 mil bovinos, este tipo de casos está a ocorrer na região norte do distrito em «sete explorações», onde já tinham morrido cerca de «setenta bovinos».
Questionado pelos jornalistas sobre se a mortandade registada acarreta alguns riscos para a saúde pública, o responsável pela AADP descartou de imediato essa possibilidade, afirmando que «a saúde pública está salvaguardada».
O Ministério da Agricultura já esclareceu que a elevada mortalidade de bovinos no distrito de Portalegre está associada à leptospirose e a uma conjugação de factores ambientais que diminuíram as defesas dos animais.
As intempéries registadas nos últimos meses no distrito de Portalegre, que provocam alguma debilidade nos animais, apesar de estes serem alimentados com suplementos, e a fraca qualidade das pastagens são cenários a ter em conta neste caso, consideraram as várias entidades envolvidas na reunião de Monforte.
No final do Conselho de Ministros da semana passada, o ministro da Agricultura admitiu a adopção de medidas para responder à elevada taxa de mortalidade de gado no Alentejo, mas adiantou que o Governo ainda averigua eventuais situações de incumprimento do bem-estar animal.
«Há taxas de mortalidade que em algumas explorações ultrapassam os 10 por cento. Essa situação está a ser analisada desde quarta-feira pelos serviços de veterinária», referiu o ministro, adiantando que perante esta elevada mortalidade, o Governo «mandou analisar as causas e os serviços de veterinária deram uma primeira pista: a doença da leptospira».
«Há uma mortalidade muito acentuada em algumas explorações, mas o Governo terá de verificar se as condições de bem-estar animal estão a ser preenchidas. Temos de ver se não há mais razões que possam estar na origem do problema. Só depois poderemos tomar uma decisão», frisou o responsável.
Jaime Silva referiu também que «há uma vacina para a doença da leptospira, que é muito utilizada pelos produtores nacionais que têm os seus animais em zonas de chuva e de muita água no solo», reconhecendo que «esse não é o caso da zona Norte do Alentejo, que é uma região de sequeiro».
No entanto, o ministro da Agricultura não excluiu a possibilidade de «haver uma tomada de decisão de apoio em função do apuramento das causas das mortes», acrescentando que «é evidente que uma taxa de mortalidade sempre que ultrapassa os dois ou três por cento é considerada excessiva. Uma taxa de 15 por cento por exploração obriga-nos a fazer uma análise mais detalhada das razões de fundo dessa mortalidade», disse.
Fonte: Confagri
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