“Existe uma relação muitas vezes desequilibrada entre a produção e a distribuição moderna”, afirmou João Paulo Girbal, presidente da Centromarca, no debate organizado pela ACL -Associação Comercial de Lisboa. E alertou para o facto de que o emprego proporcionado pela indústria ser mais especializado e estável do que o garantido pelas empresas que produzem marcas da distribuição.
“A indústria tem quatro vezes mais pessoas a trabalhar do que a distribuição”, afirmou. Sem esquecer o facto de que “um funcionário ganha em média mais 39%”. Segundo João Paulo Girbal, é isto que faz falta a Portugal. O desafio passa por industrializar o país.
A justificação para esta aposta, segundo o presidente da Centromarca, passa pelo facto de as empresas industriais internacionalizarem 15 vezes o efectuado pelos fabricantes das marcas da distribuição. João Paulo Girbal deu como exemplo o “top ten” dos importadores onde o primeiro distribuidor (Pingo Doce) ocupa a quinta posição, logo seguido do Lidl. No entanto, não há, segundo o executivo, um contraponto da exportação. “Não há um único representante da distribuição nos sete primeiros lugares do ranking de exportações”, alertou, acrescentando que isto significa que “não há valor criado em Portugal para depois ser exportado”.
Luís Reis, presidente da APED, tem uma visão diferente do mercado nacional. Isto porque, segundo ele, os associados da Centromarca não investem em Portugal. E deu como exemplo o facto de 10% terem, entretanto, abandonado o país e de outros dez por cento terem reduzido a sua presença no mercado nacional. “Metade das empresas só factura em Portugal, não cria emprego”, constatou. O presidente da APED vai mesmo mais longe ao afirmar que a distribuição aloca cerca de metade da sua produção a empresas nacionais, na maioria das vezes desconhecidas do consumidor final.
O tão falado desequilíbrio comercial entre as duas facções não poderia ficar de fora do debate. E enquanto João Paulo Girbal defendia a posição da indústria afirmando que em Portugal só existem nove players e eu dois deles detêm cerca de 50% do consumo, Luís Reis rebateu este argumento afirmado que Portugal ocupa a 12ª posição, em 15 países europeus, ao nível da concentração da distribuição. “A concentração existente em Portugal é mesmo inferior à média europeia”, afirmou, acrescentando que, nas categorias relevantes, a quota somada da Jerónimo Martins e da Sonae é inferior à do produto líder.
O que leva a que, na opinião de Luís Reis, exista realmente um desequilíbrio comercial. Em que as marcas líderes mandam e desmandam na distribuição. “Temos todo o interesse em apoiar as terceiras e quartas marcas”, afirmou, referindo que estas podem servir de “tampão” à pressão exercida pela marca líder. Quanto ao crescimento verificado nas vendas das marcas da distribuição o orador foi peremptório: a distribuição não é um serviço público. É um negócio e tem o direito de decidir que marcas/produtos coloca na prateleira. Sendo que são os produtos com maior aceitação por parte do consumidor.
Fonte: Anil
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