Pesticida revolucionário português vai ser vendido nos EUA

O consórcio que vai apostar no pesticida revolucionário que foi desenvolvido por portugueses vai investir 12,5 milhões de euros no negócio e quer começar a vender nos Estados Unidos já em 2009.

Os principais investigadores de um processo que se prolongou por 16 anos explicaram à agência Lusa que o fungicida, extraído do tremoço germinado, mata diversos tipos de fungos responsáveis por doenças das culturas, sem prejudicar animais ou o homem, é um produto inovador a nível internacional e terá um preço “altamente competitivo” com os pesticidas concorrentes das multinacionais actualmente a dominar o mercado.

“Temos consciência que vamos concorrer directamente com as multinacionais que vão reagir”, num mercado que está muito concentrado, referiu Ricardo Boavida Ferreira.

Nos próximos dois anos vão ser investidos 12,5 milhões de euros para construir uma fábrica piloto e desenvolver um estudo para avançar com uma unidade de produção, enquanto a proteína do tremoço, que tomou o nome de BLAD (Banda de Lupinus Alpus Doce) é objecto de homologação nos EUA e na União Europeia.

Esta autorização para que um produto possa ser comercializado é obtida mais rapidamente nos EUA que na UE, por isso, os investigadores estimam que a BLAD possa começar por ser vendida a clientes norte-americanos, passando depois para a Europa, principalmente centro e sul, regiões mais afectadas pelas doenças provocadas por fungos.

Aliás, “as maiores empresas norte-americanas de vinhos já se mostraram disponíveis para fazer ensaios de campo” com a BLAD, conforme fez questão de frisar Virgílio Loureiro.

Entretanto, a patente já está registada tanto a nível nacional, como internacional.

Esta descoberta é uma “revolução” para a agricultura, nomeadamente para as vinhas, pois “trata-se de uma mudança de paradigma, pois os pesticidas actualmente utilizados matam as pragas e as doenças, mas contaminam o ambiente e são tóxicos para os animais e para o homem. Ao contrário, este produto mantém a vantagem de acabar com as doenças, sem causar danos no ambiente ou nas pessoas”, resumiu o investigador.

Para dar uma ideia da evolução da produção da BLAD, Ricardo Boavida Ferreira, afirmou que, na fase de investigação obtinham-se miligramas de produto, actualmente, ainda em laboratório, “produzem-se quilos do fungicida e com a fábrica vão passar a ser centenas de quilos”.

Para já, prosseguem as investigações em laboratório, mas também já com testes feitos em campo, numa empresa certificada, como referiu um dos professores, Virgílio Loureiro, avançando que vai existir um conjunto de “clientes piloto em Portugal, Espanha, Itália, França e EUA”.

Com a participação num programa da COTEC, Associação Empresarial para a Inovação, foi possível concretizar uma ligação sempre difícil em Portugal, entre a investigação e os empresários ou investidores, “um caso study que já mereceu um prémio de um instituto norte-americano, o primeiro que esta entidade atribui a um projecto fora dos EUA”.

Aliás, Virgílio Loureiro faz questão de frisar que “as boas ideias que nascem na universidade não podem continuar a ser encaradas como até agora, tem de haver uma ligação entre a investigação e as pessoas da área do negócio”.

Depois de elaborado um plano de negócio para uma empresa, onde “ajudaram alguns dos mais prestigiados empresários portugueses” e alguns consultores estrangeiros, principalmente dos EUA, três especialistas indicados pela Cotec, João Silveira Lobo, Carlos Moreira da Silva e Pedro Vilarinho começaram a definir uma estratégia.

Foi criada uma empresa, a Consumo em Verde – Biotecnologia das Plantas, com três sócios, os três investigadores principais, Virgílio Loureiro, Ricardo Boavida Ferreira e Sara Monteiro, um nome que vai manter-se com a entrada de novos parceiros.

O projecto foi apresentado a vários empresários portugueses, em reuniões em Lisboa e Porto, tendo sido recebidas sete propostas para desenvolvimento, das quais foram seleccionadas duas, e após negociações, foi eleito o consórcio Change Partners, como explicou Virgílio Loureiro.

O consórcio, onde está uma capital de risco e o empresário Paulo Fernandes, presidente da Cofina, tem igualmente três entidades.

No futuro, o capital social da Consumo em Verde, SA estará dividido em partes iguais, de 45 por cento, entre os investigadores e os investidores, e os restantes 10 por cento vai ficar nas mãos da Cotec.

O novo produto é extraído do tremoço germinado, uma fase que não ultrapassa uma semana, “pode ser ingerido pelo homem e é destruído somente no estômago” e já está patenteado, tanto a nível nacional, como internacional.

As vantagens que apresenta face aos seus concorrentes no mercado passam pelo facto de não ser tóxico ou prejudicial ao ambiente e ao homem, mas também por ser muito resistente e eficaz na luta contra inúmeros fungos, ao contrários dos produtos actualmente usados pelos agricultores que têm funções específicas, ou seja, cada um afecta um número reduzido de doenças.

Como pode ser ingerido pelo homem, evita o cumprimento do intervalo de segurança exigido por lei aos agricultores que usam pesticidas químicos, ou seja, os produtos agrícolas podem ser tratados e de seguida entrar no circuito comercial.

Fonte: Agroportal

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …