Peso Excessivo Afecta Cerca de 30% das Crianças

Como afirma Olívia Pinho “uma criança com o colesterol muito elevado pode ter um enfarte”. Esta nutricionista e professora na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, do Porto, acrescentou que, “apesar de ser menos provável que tal aconteça , de certeza que terá no futuro problemas cardiovasculares mais cedo do que anteriores gerações” e, segundo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar [EFSA], trinta por cento das crianças portuguesas, entre os 7 e os 11 anos, sofrem de excesso de peso.

Desses 30 por cento, esclareceu Olivia Pinho, 11 por cento são mesmo obesas. A realidade é extensiva à Espanha e a todos os outros países do Sul da Europa, se bem que, alerta a EFSA, o Reino Unido e a Polónia também se debatam com o mesmo problema. Aquela organização estima que todos os anos mais de 400 mil crianças, na Europa dos 25, integrem a estatística, que aponta para que uma em cada quatro seja vítima da epidemia do século XXI.

Repensar estratégias
No sentido de travar a epidemia, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar repensa estratégias. Uma das soluções poderá ser a rotulagem dos produtos alimentares embalados e dos refrigerantes, muito à semelhança, por exemplo, da que aparece nos maços de tabaco.Nos rótulos poderão aparecer informações sobre as quantidades adequadas de determinados nutrientes, de sal ou de açúcar.

“Esta é uma área nova para nós e precisamos de a debater com os países da Comunidade e com a Comissão Europeia. Precisamos de definir objectivos relativos a esta área e pretendemos fazê-lo até ao final deste ano”, garantiu Catherine Geslain- Laneelle, directora executiva daquele organismo. Aquela responsável avançou que a obesidade começa a ser uma das grandes preocupações da Europa e daí o facto de a EFSA já ter desenhado uma campanha que incentiva a uma alimentação saudável e ao exercício físico, sobretudo por parte dos mais novos.

Olívia Pinho não tem dúvidas de que a tendência será para piorar se nada for feito. “Não me surpreenderia que, daqui a 10 anos, tivessemos mesmo 30 por cento de crianças obesas e não apenas com excesso de peso”. A nutricionista relembrou que, em média, uma criança com sete anos deveria ingerir 1800 calorias por dia e uma com 11 anos deveria ingerir 2200. Ao mesmo tempo, acrescentou, “é importante que gaste o que consome”. “O problema é que as crianças, em vez de jogarem futebol, passam mais tempo ao computador em jogos, quando não estão com as batatas fritas ao lado. É evidente que alguns jogos estimulam o raciocínio, mas tudo tem que ser com conta, peso e medida”, argumentou. Por outro lado, há regras de ouro que continuam esquecidas. A do pequeno-almoço, por exemplo. “Os pais deveriam ser castigados por deixar um filho sair de casa sem pequeno-almoço. Depois acabará por comer mais e pior”, alertou ainda Olívia Pinho.

Fonte: Anil

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