Os armadores portugueses estão preocupados com uma proposta, a apresentar no âmbito da ONU, de acabar com a pesca do arrasto em águas internacionais, o que tiraria emprego a mais de 2.000 pessoas em Portugal.
O secretário-geral da ADAPI (Associação dos Armadores das Pescas Industriais), António Cabral, explicou hoje à agência Lusa que um conjunto de países, liderados pela Costa Rica, tem uma proposta naquele sentido com o argumento de que esta arte de pesca degrada o fundo dos mares.
Mas, aquela opinião “não tem uma base científica sólida ou sustentável” porque não existem estudos suficientes para conhecer o fundo do oceano e o seu relevo, segundo a ADAPI.
A frota portuguesa de pesca de arrasto em alto-mar é constituída por 13 navios, emprega directamente cerca de 500 pessoas, mas de forma indirecta garante mais de dois mil postos de trabalho.
Estes barcos capturam cerca de 30 mil toneladas de peixe por ano, com licenciamentos, tanto nacional como comunitário, “rentabilizando quotas de pesca portuguesas em todo o Atlântico Norte”, segundo a ADAPI.
A proposta de moratória para a pesca de arrasto em alto-mar será apresentada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Novembro, e refere que o arrasto em águas profundas degrada o habitat do fundo do mar.
A ADAPI já transmitiu ao governo português, através do secretário de Estado Adjunto e das Pescas, a sua posição de defesa de uma pesca responsável e dos recursos marinhos, de combate às capturas ilegais e da necessidade de investir mais em estudos técnicos e científicos para “identificar melhor os acidentes do fundo marinho” para que “sejam desmistificados dogmas e ideias pré-concebidas assentes em cenários especulativos”.
Aliás, a associação portuguesa salienta que “é do interesse do armador evitar a pesca em fundos nos quais tenha sido identificada a existência de montes submarinos ou de acidentes morfológicos semelhantes”.
Porém, “o mar não é só origem da actividade da pesca, também integra outros recursos, como o petróleo”, recorda António Cabral, acrescentando que os países a defender a moratória junto da ONU “representam outros interesses políticos e económicos”.
Até agora, “não temos a posição de Portugal neste assunto, do âmbito do Ministério dos Negócios Estrangeiros”, mas, o país está integrado na União Europeia que “já disse discordar” da moratória.
A pesca em águas internacionais, como a do arrasto, é definida (quotas), controlada e fiscalizada pela ONU, através das Organizações Regionais de Pesca.
Fonte: Agroportal
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