Vinte associações de armadores de pesca decidiram hoje exigir ao governo que encontre formas de ajudar a frota nacional, prejudicada com o aumento do preço dos combustíveis, a ser mais competitiva em relação a Espanha e França.
“Obtivemos hoje a confirmação de que o ministro da tutela nos vai receber na próxima quinta-feira e esperemos que haja um sinal claro e inequívoco de que serão encontradas medidas para que a frota nacional possa competir em pé de igualdade com os países mais próximos”, disse à Lusa Humberto Jorge da Associação de Armadores de Peniche.
“A não ser assim temos que encontrar outras formas de luta”, disse o armador após um encontro realizado em Lisboa com as principais associações do país.
Referindo que os armadores “não estão a pedir muito, pois sabem que não haverá dinheiro para subsídios directos”, Humberto Jorge assinalou que existem outras formas dando como exemplo ajudas através de isenções de taxas portuárias.
Em causa está o que consideram ser “o momento particularmente difícil resultante do elevado custo do gasóleo para a pesca que perdura há mais de um ano”.
Os armadores dizem que os governos de Espanha e França ajudam as respectivas frotas pelo que “os armadores e pescadores se encontram totalmente desamparados nesta luta desigual com os seus colegas europeus”.
O ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Jaime Silva, disse esta semana que está disponível para discutir a questão do preço dos combustíveis com o sector da Pesca, num quadro de rigor orçamental.
Apesar de se dispor a reunir com os representantes do sector das pescas, Jaime Silva advertiu que a crise petrolífera tem afectado toda a economia e que a pesca e a agricultura “têm algum privilégio” face a outras actividades industriais.
Do lado dos armadores, Humberto Jorge respondeu que “a pesca é o único sector que não pode fazer repercutir no produto o aumento dos combustíveis”.
“Vendemos o peixe em leilão e sempre que se está em época de crise a tendência é para baixarem os preços porque os consumidores também baixam o consumo”, sustentou.
“Por isso somos prejudicados nas receitas e vemos os custos da exploração aumentar”, disse Humberto Jorge.
Fonte: Agroportal
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