Pescas: Armadores exigem intervenção do Governo contra esgotamentos de quotas

A Associação dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI) exigiu hoje a intervenção do Governo, depois do “inesperado” esgotamento das quotas da pescada e tamboril, uma medida que diz ter graves consequências nas empresas do sector.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da ADAPI, Pedro França, explicou que em causa está o facto de terem sido informados sexta-feira que as quotas da pescada e do tamboril estavam a 100 por cento, um mês depois da Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura (DGPA) ter anunciado que as quotas se encontravam a 70 por cento.

“Houve um mau acompanhamento da DGPA e da DocaPesca”, afirmou Pedro França, acrescentando que esta situação poderá significar a paragem dos navios ou então os pescadores têm que atirar as espécies em causa ao mar, depois de pescadas.

Para fazer face à situação, Pedro França sublinha que o Governo pode pedir a transferência de quotas de outros países, como por exemplo Espanha e França, ou solicitar à União Europeia a antecipação de 10 por cento da quota do ano seguinte.

“Há uma grande falta de meios na Direcção-Geral e uma grande desorganização”, afirmou Pedro França, lamentando que o organismo, sob a tutela do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, tenha deixado a situação chegar ao esgotamento das quotas da pescada e tamboril, que representam cerca de 15 por cento do volume da pesca total.

Estas preocupações já foram dadas a conhecer ao Governo através de uma carta enviada sexta-feira ao secretário de Estado Adjunto, da Agricultura e das Pescas, Luís Vieira.

Além das quotas da pescada e tamboril, a ADAPI alerta para a programação financeira do PIDACC do Orçamento de Estado para 2007 em que, na área específica do Programa Operacional Pescas, 76 por cento dos apoios previstos foram deslocados para os últimos quatro anos do Quadro Comunitário, ou seja, 2010-2013.

A redução em 85 por cento das verbas programadas para projectos a apresentar pela indústria transformadora de produtos de pesca e o baixo fluxo financeiro previsto no primeiro ano para a medida de “Abate de Navios de Pesca”, correspondendo a pouco mais de 1 milhão de euros, são outras das preocupações manifestadas pelos armadores.

Fonte: Agroportal

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