A Associação Nacional das Indústrias de Conservas de Peixe encara com optimismo a certificação que sexta-feira vai ser atribuída à sardinha capturada na costa portuguesa e avança que as indústrias estão prontas a responder às exigências de qualidade.
“O que se pretende é valorizar o produto do ponto de vista do preço a que é vendido junto do consumidor final”, afirma à Lusa Narciso Castro e Melo, secretário-geral da associação, que espera que o consumidor saiba valorizar as conservas certificadas das não certificadas no acto da compra.
O responsável adiantou que das 14 indústrias conserveiras a nível nacional a transformar sardinha, 11 já foram sujeitas a auditorias e deverão em breve ter conservas de sardinha com o rótulo azul de qualidade atribuído da “Marine Stewardhip Council” (MSC).
Narciso Castro e Melo revela que as conserveiras modernizaram-se e estão já a aplicar regras de segurança alimentar que lhes permitem responder aos apertados critérios relacionados com a certificação ambiental da sardinha. Para o secretário-geral da associação a certificação era aliás “indispensável para aumentar a competitividade” da indústria de conservas, sobretudo em relação a Marrocos e Espanha.
“É um sector que exporta 60% da sua produção e tem clientes estrangeiros, nomeadamente do mercado inglês que exigem a certificação”, justifica, sendo esperada uma maior valorização do preço de venda das conservas certificadas. “A sardinha certificada só traz benefícios para o consumidor porque é uma garantia de qualidade e o consumidor dá resposta ao aumento de qualidade”, assegura António Pinhal, administrador da conserveira Pinhais e Companhia Lda, indústria com 89 anos que continua a adoptar métodos de fabrico artesanais nas conservas de sardinha. Uma estratégia que permite à conserveira de Matosinhos ter um produto de maior qualidade, reconhecido sobretudo no mercado externo ou em lojas gourmet portuguesas. “As pessoas estão a valorizar a qualidade e não se importam de pagar mais caro”, acrescenta.
Por ano são comercializadas em todo o País 25.000 toneladas de sardinha em conserva, 60% das quais destina-se à exportação, o que permite facturar 250 milhões de euros.
O processo de certificação da sardinha foi requerido pela Associação Nacional das Organizações da Pesca do Cerco e pela Associação Nacional das Indústrias das Conservas de Peixe e é atribuído pela MSC, a organização internacional sem fins lucrativos responsável pelo único programa de certificação mundial do pescado.
Em todo o mundo mais de 1.500 organizações e sete milhões de toneladas de pescado (12% do total de capturas) estão envolvidas em processos de certificação da MSC, sendo que quatro milhões de toneladas de peixe já são certificadas.
Fonte: Agroportal
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