A legalização da chamada pesca do corrimão, uma arte artesanal e peculiar dos nazarenos para pescar robalo nas praias do concelho, foi ontem exigida pela Câmara Municipal, por se tratar de uma prática ancestral e que em nada prejudica o equilíbrio das espécies.
Apesar de ser praticada desde há muito pela comunidade piscatória nazarena, a pesca do corrimão não está prevista na legislação em vigor, o que tem implicado a autuação dos pescadores que a praticam. Por isso, o executivo da Câmara Municipal aprovou uma proposta a solicitar que seja contemplada na portaria n.º 1102-C/2000, de 22 de Novembro, tendo já solicitado um parecer nesse sentido à Direcção-Geral de Pescas e Aquicultura.
De acordo com a proposta, trata-se de uma arte de pesca “tradicional e amiga do ambiente”, já que “em nada prejudica o equilíbrio das espécies, uma vez que se trata de uma pesca muito selectiva no que se refere ao tamanho das espécies e o peixe capturado já é graúdo”.
É também objectivo da Câmara da Nazaré “formalizar a existência, perante a lei, de uma prática de pesca ancestral e peculiar” daquela comunidade e dessa forma contribuir para a “preservação e revitalização da actividade piscatória costeira e artesanal, bem como da herança cultura que dela emana”.
A pesca do corrimão é feita na praia, sobretudo no Inverno, junto à rebentação, largando-se uma linha com anzóis ao longo do areal que, com a força da rebentação é arrastada para o largo. Presa numa ponta pelo ‘chambréu’ (pedra) e na outra pela mão do pescador, a linha é arrastada para dentro do mar, formando um semicírculo.
Depois, o pescador percorre o caminho no sentido inverso em que lançou a linha, recolhendo-a com o peixe numa gamela onde foi colocada uma tira de cortiça no rebordo para prender os anzóis. O peixe é guardado num saco de lona.
Fonte: Correio da Manhã
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