Pesca do bacalhau tem nova ameaça

A maior parte do bacalhau consumido actualmente em Portugal tem origem no mar de Barents, onde se vivem dias de tensão entre russos e noruegueses, sob a ameaça acrescida de um provável início da exploração das jazidas de petróleo nele existentes, que poderão pôr em risco toda a pescaria.

Noruega e Rússia, que partilham o mar de Barents, estiveram reunidas durante a última semana para definir as quotas de pesca para o próximo ano, mas o cenário de negociação esteve ensombrado por recentes conflitos.

Nas duas semanas anteriores, as autoridades norueguesas arrestaram três navios russos por pesca ilegal. Um deles escapou e refugiou-se num dos fiordes, com dois inspectores noruegueses como reféns, que entretanto foram libertados.

Menos bacalhau

Apesar do clima de crispação, das negociações resultou um acordo para reduzir as capturas em 15 mil toneladas, cabendo à Noruega cerca de 200 mil toneladas e à Rússia perto de 220 mil.

Mas a tensão entre os dois países não se limita às questões de pesca ilegal. Os dois querem definir a linha de fronteira no Mar Árctico, uma área considerada até aqui de uso comum, e onde se estima haver o equivalente a 12 mil milhões de barris de petróleo ainda por explorar, graças ao desentendimento entre os dois países sobre o assunto, ao longo dos últimos 30 anos.

No entanto, a recente assinatura de um memorando de cooperação para a exploração petrolífera no Árctico faz pensar que o rumo das coisas poderá inverter-se, e a Rússia até já fez saber que pretende ver a questão da fronteira resolvida nos próximos seis meses.

Se assim for, o sector pesqueiro da Noruega, em particular o bacalhoeiro, teme pelo impacto que os acidentes ligados à exploração petrolífera possam causar à actividade.

Portugal, apesar de ter os seus nove navios do bacalhau a operar nas águas da Noruega e no Svalbard, já pediu à União Europeia para que inicie negociações com a Rússia e com a Noruega, no sentido de autorizar os portugueses a operar também no Mar de Barents, no respeito pelos interesses da indústria nacional do sector.

A quantidade de bacalhau capturada pelos nossos navios é ínfima (3414 toneladas), quando comparada com as necessidades de consumo cerca de 150 mil toneladas (equivalentes a 70 mil toneladas de bacalhau seco). Daí a importância que as importações assumem no abastecimento do mercado nacional – com Noruega, Islândia, Rússia e EUA por principais fornecedores – em especial a Noruega, uma vez que só Portugal consome quase o total da sua quota no Barents.

Em termos mundiais, as capturas de bacalhau totalizam anualmente 800 mil toneladas, sendo 500 mil provenientes de Barents e as restantes capturadas no Pacífico, na Islândia e no Mar do Norte.

Mais caranguejo

Apesar da redução no bacalhau, os dois países acordaram aumentar em 2006 as quotas do caranguejo real (“king crab”), uma espécie agora em voga no Árctico. A Noruega vai capturar 300 mil caranguejos (+20 mil que em 2005), mas a Rússia mais do que duplicou a sua quota, para três milhões.

Fonte: JN

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