Peru: Acabar com a fome com culturas nativas

Como se estivesse a exibir um tesouro, Dionicio Sarmiento segura na sua semente de batata com um sorriso.

“Olha como estão boas, prontas para plantar. Vai ser uma boa colheita”, diz o agricultor camponês de Huancavelica, a província mais pobre do Peru, onde a maioria da população depende da agricultura de subsistência.

Sementes de boa qualidade podem fazer a diferença entre passar fome ou colocar comida na mesa para a sua família.

Sarmiento vive na aldeia de Tinquerccasa, mais de 3.500 metros acima do nível do mar, onde as casas são feitas de adobe, os agricultores usam ferramentas simples, e a produção de alimentos mal cobre as necessidades das famílias. Água canalizada está disponível aqui apenas uma hora por dia, e não há sistema de esgoto.

Tinquerccasa fica no distrito de Paucará, onde mais de 90 por cento da população é pobre. Em Huancavelica, onde os povos indígenas constituem a maioria da população, quase 86 por cento das pessoas vivem na pobreza, e cerca de 45 por cento das crianças em comunidades nativas são desnutridas.

Apesar das estatísticas sombrias, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), encontrou terreno fértil na cidade para combater a fome e promover a segurança alimentar através de um projecto que visa fortalecer as organizações comunitárias, revivendo o consumo de alimentos tradicionais, e ligando a produção agrícola aos mercados, para aumentar o rendimento dos agricultores locais.

Apesar da FAO ter estabelecido alianças com autoridades do governo municipal, provincial e central, bem como com as universidades, talvez o capital mais importante do projecto seja o conhecimento tradicional dos povos indígenas e os seus desejos de evoluírem.

A FAO informa que a insegurança alimentar mundial piorou e que continua a ser uma séria ameaça para a humanidade, devido aos altos preços dos alimentos nos países em desenvolvimento. A agência da ONU estima que o número de pessoas com fome em todo o mundo aumentará em 100 milhões este ano, para mais de mil milhões.

Fonte: Agroportal

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