A Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos (ACBM) vai relançar no mercado, já na próxima semana, carne com Denominação de Origem Protegida (DOP) daquela raça autóctone portuguesa, a de maior expressão nacional, foi ontem revelado.
Nuno Henriques, da ACBM, explicou que a “Carne Mertolenga DOP” desapareceu do mercado há cerca de dois anos”, depois da falência da empresa responsável pela comercialização.
“Os criadores tiveram, então, que vender os bezerros ao desmame e a carne DOP desapareceu. Agora, queremos relançar essa carne, que vai começar a chegar ao mercado já na próxima semana”, disse.
A Denominação de Origem Protegida é uma certificação europeia que garante que o produto em causa foi produzido, transformado e elaborado numa área geográfica delimitada com um saber fazer reconhecido e verificado.
A empresa que vai assegurar a comercialização é a Montebravo, revelou Nuno Henriques, acrescentando que, “em princípio”, a “Carne Mertolenga DOP” começará por ser vendida nos hipermercados da cadeia Auchan e no El Corte Inglês.
“O objectivo, para os primeiros seis meses, é abater 20 carcaças por semana. Já temos o aprovisionamento feito e sabemos os animais a abater até final de Janeiro do próximo ano”, disse.
Este relançamento acontece numa altura em que a ACBM, com 250 associados no Alentejo, Ribatejo e Beira Interior, já tem em funcionamento, perto de Évora, um Centro de Testagem, para selecção de reprodutores, e um Centro Tecnológico de Recreia e Acabamento da Raça Mertolenga.
Os dois equipamentos, hoje inaugurados oficialmente, resultam de um investimento que ronda o meio milhão de euros, que contou com o apoio do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.
“Há muitos anos que tentávamos ter um sítio para testar os futuros reprodutores machos, para ver as suas performances, e seleccionar os melhores”, justificou.
A ACBM tem vindo a aplicar, ao longo dos anos, um plano de melhoramento da raça, com várias acções, como a inseminação artificial de fêmeas, através de um banco de distribuição de sémen, ou o acompanhamento do bezerro, durante o crescimento, e da respectiva progenitora.
“Neste momento, temos 90 bezerros no Centro de Testagem, sujeitos às mesmas condições e durante um certo período, para vermos quais crescem melhor e devem ser reprodutores, devolvendo-os depois ao criador”, explicou.
Quanto ao Centro Tecnológico de Recria e Acabamento, disse, está a ser dotado das “mais recentes técnicas e equipamentos” para a engorda dos bovinos.
“É um centro para demonstrar aos criadores como podem produzir a melhor carne possível, para que o produto DOP chegue homogéneo ao mercado”, sublinhou.
Ao mesmo tempo, a infra-estrutura vai funcionar como centro de aprovisionamento, onde são concentrados os animais sem capacidade de engorda nas suas próprias explorações.
“São todos colocados ali, alimentados como deve de ser e depois são abatidos consoante as necessidades, para precaver que, quando haja alguma falta na produção, se possa abastecer à mesma o mercado”, afiançou.
Portugal, adiantou, tem um total de 12 raças autóctones de bovinos, sendo que a Mertolenga é a de “maior expressão nacional”, com um efectivo “duas vezes superior ao de qualquer um das outras”.
A região do Alentejo possui actualmente um total aproximado de 280 mil vacas, 20.600 das quais de raça Mertolenga, que chegaram a rondar apenas as cinco mil na década de 90.
“É uma raça que está de excelente saúde. Os animais vivos têm muita procura e o nosso ‘handicap’ era mesmo a comercialização de carne, que agora retomamos”, congratulou-se Nuno Henriques.
Fonte: Agroportal
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