Em entrevista ao Financial Times a Comissária para a Agricultura e Desenvolvimento Rural, Mariann Fischer Boel, avisa que muitos agricultores da UE vão precisar de uma segunda fonte de rendimento para sobreviver na próxima década.
A Comissária disse que o sector agrícola vai ter que mudar radicalmente face aos cortes substanciais que se espera venham a ocorrer após 2013 nos 45 biliões de euros de subsídios anuais.
Anunciando grandes mudanças à política agrícola comum (PAC), Mariann Fischer Boel disse ao Financial Times que “penso que toda a gente sabe que haverá menos dinheiro disponível no futuro… pelo que vamos discutir com os estados membros e os agricultores como adaptar”.
“Penso que vai ver um aumento no número de agricultores em part-time. Irão viver no meio rural mas necessitam de uma receita exterior ao sector agrícola”.
Antecipando eventuais críticas dos defensores da PAC, como a França, a Comissária disse “Toda a gente percebe que o mundo está a mudar mesmo que não gostemos”.
Entretanto, o ministro francês da agricultura, Dominique Bussereau, “rejeitou totalmente as acusações denunciando o peso excessivo da PAC no orçamento europeu” em carta escrita à Sr.ª Fischer Boel.
O Sr. Bussereau recorda “que o acordo sobre as perspectivas financeiras da União fixou para todo o quadro financeiro no período 2007-2013 e que de nenhuma forma o ‘check-up médico’ de 2008-2009 deve voltar ao compromisso político”.
A Sr.ª Fischer Boel já começou por propor o fim da intervenção pública para o milho. Este ano vai tentar resolver a reforma do sector das frutas e produtos hortícolas e do sector do vinho e pretende acabar toda a intervenção pública.
Numa outra iniciativa de aproximar os agricultores europeus ao mercado, a Sr.ª Fischer Boel disse que quer acabar com todas as quotas, incluindo as quotas de leite que devem ser abolidas quando expirarem em 2015.
Fonte: Agroportal
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