O foco de língua azul detectado em Chaves foi descoberto com a morte de uma ovelha, três dias depois dos primeiros sintomas. O restante efectivo não deu sinais de ter contraído o vírus. A feira de gado está suspensa.
Os criadores e negociantes de ovinos que, ontem de manhã, se deslocaram a Chaves para a habitual feira de gado foram impedidos de descarregar os animais e foram obrigados a regressar a casa sem fazer qualquer transacção. A suspensão da feira “por tempo indeterminado” é uma das medidas de prevenção tomadas na sequência da detecção do primeiro foco da doença da língua azul no concelho de Chaves.
O caso foi divulgado, ao início da tarde de anteontem, pela própria Direcção-Geral de Veterinária (DGV). No entanto, o veterinário municipal, Sotero Palavras, só foi avisado da suspensão da feira pelos serviços de Chaves da DGV entre as “18.30 e as 19 horas”.
Ontem, coube-lhe a ingrata tarefa de informar os feirantes da medida. “Foram muito compreensivos”, garantiu. No entanto, havia quem reclamasse. “Levantei-me às 5 horas para estar aqui. E agora não vendo nada! Eu vivo disto!”, lamentava Manuel Teixeira, vindo de Valpaços.
“Apercebi-me que a ovelha não comia e, como era uma das melhores do rebanho, fiquei mais preocupado”, contou Basílio Martins. No entanto, foi ao abrir a boca ao animal que o dono do rebanho se apercebeu que poderia estar perante a doença da língua azul. “Ao abrir a boca vi que tinha a língua muito grossa e meia roxa, não esperei mais e fui logo aos serviços a Chaves”, recordou. No entanto, o animal acabou por não sobreviver à chegada do veterinário, no dia seguinte. A análise foi feita através da recolha de alguns órgãos. “Passados dois dias veio logo o resultado [positivo]”, conta Basílio.
De acordo com o comunicado da DGV e o próprio dono do rebanho, o restante efectivo já foi todo vacinado contra o vírus e o estábulo desinsectizado. Isto porque a doença entre animais é feira através da picada de um insecto. No entanto, apesar de os restantes animais ainda não terem revelado sintomas, só depois de conhecido o resultado da análise que foi feita ao sangue de todos os animais se saberá se houve contágio.
Certo, para já, é que a exploração está sob sequestro, uma espécie de quarentena que impede a movimentações dos animais para outros locais. Com muitas restrições de movimentações ficam também todos os animais do país, uma vez que as restrições foram alargadas a todo território continental. O primeiro caso de língua azul em Portugal apareceu em 2004.
Em declarações à Lusa, o presidente da Associação dos Pastores Transmontanos, Armando Carvalho, já anunciou que os agricultores estão “muito preocupados” com o surgimento da doença na região e que, por esse motivo, vai solicitar uma reunião de emergência com o Ministério da Agricultura. O dirigente entende que o Ministério da Agricultura tem que tomar medidas para compensar as consequências nefastas que a doença traz para os produtores transmontanos, nomeadamente com o cancelamento da feira, uma vez que deixam de poder realizar os seus negócios.
Fonte: Jornal de Notícias
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