OMS lança sistema para gerir amostras de gripe das aves

O novo sistema lançado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) quer apaziguar as preocupações dos países que exigem que a troca de amostras biológicas resulte em vacinas acessíveis para os mais pobres. “O sistema está completamente operacional e pode ser usado. É uma importante medida que estava a ser reclamada e que foi tomada”, confirmou hoje à Reuters o porta-voz da OMS Gregory Hartl.

Trata-se de um sistema electrónico de detecção e informação público que arrancou esta semana e que inclui uma lista das amostras recebidas, o laboratório que as está a tratar, as análises que estão a ser efectuadas e ainda dados sobre o seu eventual uso para a pesquisa de uma vacina para combater a gripe das aves.

É desta forma que a OMS começa a revelar de uma forma mais transparente, como exigiam diversos países que participam no acordo internacional para a troca de amostras do vírus, como é que o material recebido dos locais afectados pela gripe das aves está a ser usado.

Antes de aceitar a troca de amostras do vírus da gripe das aves, a Indonésia exigiu, por exemplo, a garantia de uma futura vacina estar acessível para os países mais pobres. A nação mais atingida pela gripe das aves, com 97 vítimas mortais declaradas entre a população, pediu uma partilha igual dos benefícios que pudessem surgir do uso dos vírus.

A Indonésia chegou mesmo a propor um acordo para cada amostra do vírus enviada para os laboratórios estrangeiros onde se deixasse bem claro que o material enviado servirá apenas para fins de diagnóstico e não para nenhum ganho comercial. A proposta faria com que qualquer uso comercial do vírus necessitasse de um consentimento prévio do país que o forneceu.

Esta “troca” de amostras entre os países pode ser determinante para avaliar eventuais mutações, resistências ou outros factores importantes dos vírus e contribuir decisivamente para a descoberta de uma vacina.

Nove mil amostras enviadas

China, Iraque, Nigeria, Vietnam e outros países onde terão sido detectados casos de gripe das aves em humanos enviaram já mais de nove mil amostras de pessoas e animais suspeitos de infecção por H5N1 entre 2003 e 2007, segundo dados revelados pela OMS.

Neste grupo, apenas 743 apresentavam estirpes de vírus considerados activos e a organização terá recomendado que 13 dos espécimes fossem tidos em conta para projectos de investigação de vacinas. O vírus terá matado já 219 pessoas das 351 infectadas desde que reapareceu em 2003, na Ásia.

Actualmente há 16 companhias a tentar registar uma vacina contra o H5N1.

Fonte: Público

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