O presidente da Comissão Europeia afirmou hoje que a oferta agrícola da União Europeia na Organização Mundial do Comércio (OMC) está “condicionada” à abertura pelos outros parceiros do comércio de bens e serviços.
José Manuel Durão Barroso dirigia-se aos eurodeputados em Estrasburgo onde apresentou o programa legislativo e de trabalho da União Europeia (UE) para 2006.
“A Europa fez mais do que qualquer um para manter a ronda (de negociações) nos carris. Agora, outros têm de responder”, advertiu Barroso, que instou “os membros da OMC a envolverem-se numa negociação completa que inclua os bens e serviços”.
“O nosso compromisso mantém-se, mas os outros têm também de mexer”, insistiu Barroso, que refutou as críticas dos que acusam Bruxelas de travar a negociação por falta de generosidade em matéria de liberalização agrícola.
A oferta da Comissão prevê cortes de direitos alfandegários de entre 60 a 35 por cento, e uma redução de 70 por cento das subvenções agrícolas da UE que distorcem o comércio.
A França e outros Estados-membros da UE com produção agrícola significativa pensam que a Comissão pode ter sido demasiado generosa, enquanto países em desenvolvimento ou os Estados Unidos consideram as propostas insuficientes.
“A Europa não precisa de lições de países que fecham os seus mercados aos outros, e que, em certos casos, conservam direitos nos produtos agrícolas mais altos do que os nossos”, prosseguiu.
“Não aceito que nos atribuam as culpas”, acrescentou o presidente, que não citou nenhum país em concreto, mas notou que o resultado da ronda de negociações “não pode beneficiar somente os grandes exportadores dos países ricos ou que se desenvolvem muito rapidamente”.
O presidente do executivo europeu retomou a tese do director geral da OMC, Pascal Lamy, segundo a qual a revisão em baixa dos objectivos da conferência de Hong Kong, de Dezembro próximo, não significa uma redução das aspirações da UE quanto ao resultado final da ronda de negociações.
Advertiu também que um fracasso na negociação terá os seus custos em termos económicos e de consolidação do sistema de regras internacionais, ao mesmo tempo que prejudicará particularmente os países mais pobres, os mais interessados, na sua opinião, no sucesso das negociações sobre a liberalização do comércio mundial.
Fonte: Agroportal
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