Oito toneladas de cereja para vender no fim-de-semana

A Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé (CAAF) espera vender oito toneladas de cereja durante a feira que ontem começou naquele município transmontano. Ao stand daquela instituição junta-se o da associação Agriarbol, que levou cereja biológica para vender e promover. São as duas únicas entidades que levaram cereja ao certame, que este ano marca a diferença pela presença mais acentuada dos produtos biológicos.

A feira deste ano sofreu uma redução de quatro para três dias, devido a condicionamentos de ordem orçamental, e por isso José Gomes, da direcção da CAAF teme que o negócio venha a ser “pior em que em anos anteriores”. Mas, não vá dar-se uma surpresa, há pessoal a postos para colher rapidamente cereja caso venha a faltar na feira. Apesar da quebra esperada na produção, cerca de 40%, o quilo vai ser vendido a dois euros, o mesmo preço que o ano passado.

A Agriarbol vai vender a sua cereja biológica a 2,25 euros o quilo. Um preço ligeiramente mais alto, que o presidente da associação, Dinis Martins, justifica com o “marcar da diferença”, embora admita que se o quilo fosse comercializado a dois euros “estaria dentro do seu preço normal de venda ao público”. Dinis Martins entende que o “ser biológico não significa que tenha de ser mais caro”, defendendo uma evolução deste tipo de agricultura, de modo a que os preços os preços sejam “suavizados” e estejam acessíveis a todas as bolsas.

Artur Aragão, da Casa MC Rabaçal e Aragão Ldª, com sede em Alfândega da Fé, defende que o futuro da agricultura em Portugal passa pela “aposta na qualidade”, sendo que a produção biológica e as denominações de origem protegida serão meios para o conseguir. Esta firma, embora de pequena dimensão, já começou a impor a sua qualidade em diversos países estrangeiros, mas poderá crescer ainda mais. Para tal, Artur Aragão defende “maior divulgação” das vantagens dos produtos biológicos e a “diminuição da burocracia” neste tipo de produções.

Apesar da maior diversidade da feira deste ano, o presidente da câmara de Alfândega da Fé, João Carlos Figueiredo, não colocou a fasquia demasiado alta em termos de objectivos. “Embora não tenhamos grandes expectativas, pensamos que o certame vai superá-las”, revelou o edil, notando, contudo, que a adesão de expositores foi maior. A edição deste ano não tem a componente medieval que marcou a feira noutros anos, precisamente por causa da contenção de gastos, para testar outros modelos e avançar para a especialização de um certame que se transformou num cartaz turístico do concelho.

Nova variedade de cerejas

A chamada “cereja de saco” é a variedade que pode ser adquirida este fim-de-semana em Alfândega da Fé. É a cereja de Junho, segundo José Gomes, da Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé, que também produz em Maio a “cereja borlá”, sendo que é a mais temporã e, como tal, “a que dá mais dinheiro”. No próximo ano, já deverão começar a produzir duas novas variedades de cerejeiras, que “são melhores” e vão aumentar em 40 toneladas a actual produção da cooperativa, que ronda 90 toneladas por ano.

Menos animação do que em anos anteriores

A animação da Feira da Cereja e dos Produtos Biológicos de Alfândega da Fé é mais modesta que em anos anteriores, mas mesmo assim propõe espectáculos musicais com Marco Paulo (hoje) e Rio Samba Show (amanhã). Em termos mais tradicionais, realiza-se hoje um concerto de bandas filarmónicas, às 16.30, e amanhã à tarde um espectáculo de dança e música popular, agendado para as 15.30h. Hoje, destaque ainda para o convívio de pesca ao Achigã, de manhã, e a concentração de Motos Harley Davidson, de tarde.

Fonte: Jornal de Notícias

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