Observatório alerta para o grande desiquilibrio na formação dos preços nas frutas e legumes

O Observatório dos Mercados Agrícolas e Importações Agro-Alimentares, após um estudo efectuado ao mercado de frutas e legumes, concluiu que não existe uma distribuição equilibrada no rendimento gerado com a comercialização de produtos.

O sector da distribuição, nomeadamente operadores dos mercados grossistas e retalhistas, tais como, hipermercados, supermercados, frutarias, lojas e mercados municipais, chegaram a arrecadar mais de 70 por cento do preço final dos produtos agrícolas.

As conclusões constam do Estudo de Comercialização do Sector Hortofrutícola – Análise da Evolução de Cotações – Ano 2005, com base na evolução de duas frutas de grande consumo (Pêra Rocha e Maçã Golden Delicious) e de duas hortaliças (Cenoura e Couve-flor), na sequência de dois volumes anteriores referentes aos anos de 2000 a 2003 e 2004, respectivamente.

Este terceiro volume abarca a análise da evolução das cotações dos sectores já referidos cujas conclusões apontam para a mesma tendência dos anteriores. Em 2005, relativamente à fileira da pêra rocha, verificou-se que 74 por cento do rendimento gerado coma sua comercialização ficam na distribuição, com dominância dos operadores de mercados retalhistas, que absorvem 55 por cento do valor.

No que respeita à maçã Golden Delicious, constatou-se que aproximadamente 73 por cento do rendimento desta variedade de maçã permaneceram na distribuição, com os rendimentos divididos entre as Estações Fruteiras, os operadores dos mercados grossistas e retalhistas), apesar destes últimos ficarem com 62 por cento de todo o rendimento gerado.

A análise da fileira da cenoura permitiu que o peso dos mercados retalhistas na formação do preço final fosse de 51 por cento. Uma diminuição gradual no peso do sector da produção ao longo dos anos, que ficou em 2005 nos 32 por cento.

A couve-flor é o produto mais frágil dos quatro em estudo, com a sua produção muito dependente das condições climatéricas, não se verificando grandes alterações em relação ao ano de 2004.

Manteve-se a tendência para um aumento do preço no produtor sem aparente ganho para o consumidor, com o rendimento gerado com a comercialização de 64 por cento a ficar na distribuição, com dominância dos operadores dos mercados retalhistas que absorvem mais de 55 por cento do valor comercial, ficando os produtores com 36 por cento do preço final.

Segundo o estudo do Observatório, em termos gerais os mercados retalhistas são o sector com maior influência no estabelecimento do preço final, continuando a verificar-se a tendência de uma apropriação relevante do rendimento criado pelo produtor sem qualquer ganho aparente para o consumidor final.

Uma das funções do Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares é acompanhar, elaborar e publicar informações, estudos e relatórios que permitam analisar a evolução dos mercados agrícolas.

Através desta publicação, o Observatório repete o alerta anterior para o desequilíbrio assinalável na distribuição do rendimento gerado pela comercialização das fileiras analisadas, isto é, não existe uma repartição quantitativa ente os vários intervenientes.

Este estudo, e as respectivas conclusões serão disponibilizados esta terça-feira, dia 4 de Setembro, no site do Observatório – www.observatorioagricola.pt.

Fonte: Confragi

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