Obesos com o dobro de mortes após transplantação de rins

Os pacientes obesos sujeitos a transplantação de rim têm o dobro das probabilidades de morrer ou de sofrer uma falha do órgão no primeiro ano após o transplante, revela um estudo holandês.
O estudo sobre a influência da obesidade na sobrevivência do paciente a curto e a longo prazo após a transplantação renal foi publicado no número de Novembro da revista Transplant Internacional, publicação mensal da responsabilidad e Sociedade Europeia para a Transplantação e da Associação Europeia de Transplantação de Fígado e do Intestino.

Uma equipa de especialistas de Nefrologia de sete hospitais universitários holandeses estudou o Índice de Massa Corporal (IMC) – baseado no peso e na altura dos pacientes – de 2.067 adultos na altura em que receberam o transplante do rim, usando dados da entidade que regista e coordena as transplantações na Holanda.

A investigação concluiu que há um relacionamento significativo entre a obesidade e a falha do transplante ou a morte aumentada, depois de descobrir que 6% dos doentes com um IMC superior a 30 (índice de obesidade) morreram no primeiro ano após o transplante, o que aconteceu a metade (3%) dos pacientes com um IMC inferior a 30.

Um ano depois, 14% dos pacientes obesos tinham tido uma falha do órgão transplantado, comparados com 8% de falhas em pacientes não-obesos.

Após cinco anos, 71% de pacientes obesos tinham ainda um rim transplantado a funcionar com sucesso, comparado com os 80% dos pacientes com um IMC mais baixo.

O estudo realçou que, apesar de os números para ambos os grupos de pacientes serem razoavelmente baixos, os pacientes obesos tinham também mais probabilidades de sofrer uma falha do transplante ou não funcionamento permanente devido a infecções e condições fatais do coração.

Segundo Jeroen Aalten, investigador do departamento de nefrologia do centro médico da universidade em Nijmegen, os pacientes obesos do grupo estudado tenderam a ser os mais velhos e as mulheres.

«Estima-se que 60% dos candidatos ao transplante renal nos EUA e 10% nos Países Baixos são obesos ou têm excesso de peso», disse Aalten, salientando que «esta situação tem aumentado constantemente nos últimos anos, o que pode dever-se à ascensão geral da obesidade no mundo».

Os autores admitem que houve um debate considerável sobre se os pacientes obesos são candidatos apropriados ao transplante, mas indicam que «a experiência mostra que pode ser muito difícil para as pessoas com doença renal terminal perder o peso».

«Concluímos que não é justo negar a pacientes obesos a possibilidade de um transplante do rim, porque melhoram mais depois de um transplante do que com a diálise», esclarece Aalten, salientando que «não se deve, no entanto, negligenciar o risco aumentado para pacientes obesos depois da transplantação».

Fonte: Diário Digital

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