O maior produtor de Kiwis da Península Ibérica, a empresa Kiwigreensun, com actividade em vários concelhos do Norte de Portugal, prepara-se para adquirir 500 hectares de terreno agrícola no Brasil onde vai arrancar com uma nova exploração.
«Queremos aproveitar as condições excepcionais de clima e de solos que fomos encontrar no estado do Rio Grande do Sul», disse à Lusa António João Araújo, líder de uma empresa de cariz familiar responsável por 20 por cento da produção nacional.
Se o negócio se concretizar, ainda decorrem as negociações finais, a empresa nortenha propõe-se investir entre 10 a 15 milhões de euros (ME) no país irmão.
A primeira plantação deverá ocorrer a cerca de 400 quilómetros de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, durante o próximo ano. Prevê-se que a produção possa atingir as 10.000 toneladas dentro de quatro anos.
Nos últimos meses foram realizadas várias experiências na Argentina e no Brasil, mas só no Rio Grande do Sul foi possível encontrar as condições específicas para trabalhar com aquele fruto.
«Posso dizer-lhe que o clima e a humidade não é muito diferente da Nova Zelândia, o país líder desta cultura», explicou António João Araújo.
Para o empresário agrícola, o Brasil poderá garantir um aumento de produção muito significativo, noutra altura do ano, capaz de corresponder à enorme procura que aquele fruto encontra no mercado internacional.
«Vendemos tudo o que produzimos e estamos seguros de que poderemos aumentar bastante o nosso volume de negócio se tivermos mais Kiwis para comercializar», acrescentou. No ano passado, a empresa facturou mais de 2,5 ME, mas para este ano prevê um crescimento significativo.
Cerca de 80 por cento dos Kiwis que saem da empresa destina-se à exportação, sobretudo para Espanha, Inglaterra e Holanda, onde estão os seus melhores clientes, a maioria armazenistas.
António João Araújo está satisfeito com a rentabilidade do investimento realizado, considerando que o Kiwi é das culturas que mais retorno conseguem gerar actualmente, dando o exemplo de que «um hectare de Kiwi rende mais do que quatro de vinho verde».
Actualmente a Kiwigreensun, com 35 funcionários, assegura uma média de duas mil toneladas de Kiwis por ano, uma quantidade que vai aumentar nas próximas campanhas graças a outros investimentos em curso em diversas quintas da região, nomeadamente nos concelhos de Póvoa de Guimarães, Felgueiras, Póvoa de Lanhoso, Amares e Amarante.
A aposta direcciona-se agora para outra variedade de Kiwi, chamada Earligreen, importada de Itália, que garante uma colheita 45 dias antes da espécie mais produzida em Portugal, a Hayward.
A empresa tem adquirido ou alugado propriedades no Entre-Douro e Minho porque, considera o empresário, é a única zona em Portugal capaz de produzir Kiwis de qualidade e com uma boa produtividade.
Como meta de médio prazo, a Kiwigreensun propõe-se atingir os 250 hectares de área produção em Portugal, disse à Lusa Vítor Araújo, responsável técnico da empresa.
Nesta zona do país, consegue-se produzir 30 a 40 toneladas por hectare, quando a média nacional não passa das 12.
«Também conseguimos estes resultados, porque utilizamos métodos e meios de produção do mais avançado que há, que vamos trazendo dos países que mais e melhores Kiwis produzem como a Itália, o Chile e a Nova Zelândia, onde eu e os meus filhos nos deslocamos com frequência», frisou. Só em Felgueiras a empresa produz 700 a 800 toneladas por ano, numa área superior a 30 hectares.
Em Briteiros, Guimarães, está sedeada a Kiwigreensun, numa quinta com cerca de 20 hectares destinados exclusivamente à cultura do Kiwi.
Num pavilhão com 4.600 metros quadrados encontram-se as câmaras frigoríficas e as linhas de calibragem e embalagem do fruto, inauguradas há cerca de três anos, após um investimento superior a dois ME.
António João Araújo e os três filhos que trabalham nesta actividade têm como meta assegurar, dentro de quatro anos, oito mil toneladas, o que corresponderá a cerca de 50 por cento da produção nacional.
A colheita do fruto realiza-se entre Outubro e Dezembro, chegando a movimentar, em simultâneo, cerca de 40 pessoas, que conseguem colher cerca de 100 toneladas por dia.
Fonte: Confragi
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